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MEC revoga edital de abertura de cursos de medicina após avaliação negativa do Enamed

Medida foi publicada no Diário Oficial após resultados do Enamed indicarem problemas na qualidade da formação médica no setor privado

O governo federal oficializou a revogação do edital destinado à criação de novos cursos de medicina em instituições particulares de ensino superior. A determinação foi divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) em uma edição extra do Diário Oficial da União na noite da última terça-feira (10). A medida suspende a previsão inicial de autorizar até 5.900 novas vagas que integrariam o Programa Mais Médicos, cujo objetivo era definir localidades e critérios específicos para a expansão da graduação médica no setor privado em regiões prioritárias do país.

A decisão de cancelar o chamamento público, que havia sido lançado originalmente em outubro de 2023 e sofrido quatro adiamentos anteriores, fundamenta-se nos dados recentes do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A avaliação aplicada aos estudantes concluintes indicou deficiências significativas na qualidade do ensino, com destaque negativo para as graduações ofertadas por faculdades particulares. Diante desse cenário, a pasta optou por interromper o processo de abertura de novas turmas para reavaliar os critérios de qualidade exigidos para o funcionamento dos cursos.

Expansão judicial de vagas médicas

A criação de novas graduações na área estava oficialmente suspensa desde 2018, durante a gestão de Michel Temer, com uma validade prevista de cinco anos. Apesar da moratória administrativa, diversas instituições privadas obtiveram liminares na Justiça para ampliar a oferta de ensino. Informações veiculadas pela imprensa, citando dados da Folha de S.Paulo, apontam que em um período inferior a dois anos foram autorizados 77 cursos por meio de decisões judiciais, o que resultou no acréscimo de 4.412 vagas ao sistema educacional, contornando a restrição vigente à época.

Os resultados do Enamed revelaram ainda que 99 cursos, distribuídos entre 93 instituições públicas e privadas, correm o risco de sofrer sanções administrativas por não alcançarem o desempenho mínimo estipulado na avaliação. Esse número representa aproximadamente um terço do total de 304 graduações analisadas pelo exame. De acordo com servidores da pasta educacional, o crescimento acelerado da oferta, impulsionado pelas autorizações judiciais, reforçou a necessidade urgente de revisar a política de expansão do ensino médico no território nacional.

Impacto nos cursos avaliados

Até o momento, o Ministério da Educação não estabeleceu um prazo definido para a publicação de um novo edital ou para a retomada da expansão de vagas pela via administrativa. A prioridade atual concentra-se na análise detalhada dos indicadores de qualidade e na estruturação de um modelo que garanta a formação adequada dos profissionais de saúde. O setor aguarda novas diretrizes sobre como o governo lidará com a demanda reprimida e com as instituições que apresentaram índices insatisfatórios na avaliação federal recém-divulgada.

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