Documentos do caso Epstein geram investigações e demissões na Europa e EUA
Divulgação de 3,5 milhões de arquivos pelo Departamento de Justiça dos EUA provoca renúncias e inquéritos envolvendo figuras públicas internacionais
Quase sete anos após Jeffrey Epstein ter tirado a própria vida em uma prisão de Nova York, a divulgação de 3,5 milhões de novos documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, realizada em 30 de janeiro, desencadeou uma série de crises políticas e corporativas em escala global. O vasto material, composto por e-mails, fotografias e vídeos, implica ex-chefes de Estado, diplomatas e membros da realeza europeia, resultando na abertura de inquéritos policiais e renúncias de altos cargos. Embora a presença de nomes nos arquivos não confirme automaticamente conduta ilícita, o conteúdo tem sido suficiente para comprometer reputações e exigir explicações formais de diversas autoridades que mantiveram contato com o financista.
No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer enfrenta instabilidade política após a nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos, visto que Mandelson é citado milhares de vezes nos documentos e é alvo de investigação policial. A família real britânica também foi atingida, com Andrew Mountbatten-Windsor implicado em novas evidências, incluindo uma foto comprometedora, enquanto autoridades apuram o vazamento de informações confidenciais. Na Noruega, a princesa Mette-Marit teve sua imagem pública afetada pela troca de correspondências com Epstein entre 2011 e 2014, declarando publicamente: “Lamento profundamente minha amizade com Jeffrey Epstein”. Pesquisas locais indicam queda na aprovação popular da futura rainha.
Repercussões diplomáticas e institucionais
As consequências estendem-se por diversas instituições europeias e organismos internacionais. O ex-primeiro-ministro norueguês Thorbjørn Jagland é investigado por suspeita de “corrupção qualificada” devido aos seus vínculos com o financista, juntamente com a diplomata Mona Juul, que deixou suas funções de embaixadora. O Fórum Econômico Mundial apura a conduta de seu diretor-geral, Børge Brende, por comunicações e encontros com Epstein. Na França, familiares de figuras públicas, como a filha do ex-ministro Jack Lang, deixaram posições de liderança, um movimento similar ao ocorrido na agência da ONU para refugiados na Suécia, onde Joanna Rubinstein renunciou após revelações sobre viagens à ilha de Epstein no Caribe.
Nos Estados Unidos, a pressão recai sobre lideranças políticas de alto perfil. O ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton concordaram em prestar depoimentos ao Congresso após ameaças de processos por desacato, com Bill negando condutas impróprias além do uso de transporte aéreo privado do financista. O atual presidente americano, Donald Trump, é mencionado nos registros milhares de vezes, mas sustenta ser alvo de uma “conspiração” e ressalta não ter sido acusado formalmente por nenhuma das vítimas. As autoridades continuam a analisar o material para determinar a extensão do envolvimento de cada figura citada.
Consequências no setor empresarial
O setor corporativo também registra turbulências significativas, com o fundador da Microsoft, Bill Gates, lamentando “cada minuto passado” com o financista, situação que gerou cobranças públicas de sua ex-esposa, Melinda French Gates, sobre a natureza desses encontros. Outros executivos de renome, como Larry Summers, ex-reitor de Harvard, e diretores de prestigiados escritórios de advocacia e museus em Nova York, renunciaram às suas posições diante das novas informações. O bilionário Elon Musk, também citado nos arquivos, afirmou ter rejeitado convites para visitar a propriedade de Epstein, mantendo-se distante das acusações de crimes sexuais envolvendo menores que marcam o histórico do caso.



