Influenciadora precisa provar que é humana para recuperar contas banidas
Jovem de Ourinhos afirma que denúncias de usuários motivam bloqueios em plataformas digitais devido à sua aparência física
Flávia Barone, uma criadora de conteúdo adulto de 25 anos, natural de Ourinhos, no interior de São Paulo, tem enfrentado obstáculos recorrentes para manter seus perfis ativos em plataformas digitais. A estudante de Nutrição relata que suas contas e publicações são frequentemente removidas devido a denúncias de usuários que questionam a veracidade de sua imagem física. Segundo a influenciadora, a confusão ocorre porque sua aparência é associada a figuras geradas por inteligência artificial, levando as redes sociais a acatarem as sinalizações dos internautas, mesmo quando não há violações explícitas das diretrizes de comunidade nas postagens realizadas.
A trajetória da jovem no ambiente digital teve início em 2021, motivada inicialmente por questões financeiras, mas logo encontrou barreiras relacionadas à percepção do público sobre sua imagem. A desconfiança sobre sua existência real tornou-se um problema frequente, resultando em bloqueios e exclusão de materiais. Sobre a regularidade desses incidentes, Flávia Barone descreve o cenário que enfrenta desde o começo de suas atividades online: “Desde que eu comecei a criar conteúdo, isso virou algo constante. Eu era denunciada com frequência, como se a minha imagem não pudesse ser real. Em vários momentos, minhas fotos e vídeos eram sinalizados”.
Ausência de justificativas técnicas das plataformas
Os bloqueios, de acordo com a estudante, parecem derivar de uma interpretação dos internautas sobre padrões estéticos, o que gera denúncias em massa contra seus perfis. A defesa contra essas medidas torna-se complexa devido à falta de transparência por parte das empresas de tecnologia responsáveis pelas redes sociais. A influenciadora destaca que a comunicação com os suportes técnicos é vaga e não aponta infrações concretas: “Nunca existiu uma explicação técnica clara dizendo exatamente qual era o problema. O que ficava evidente era a reação das pessoas, que denunciavam por acharem que minha aparência não se encaixava no que elas consideravam possível”.
Para reverter as punições e atestar sua humanidade tanto para os moderadores quanto para os seguidores, a profissional desenvolveu métodos práticos de verificação visual. Essas ações envolvem a exposição deliberada de características naturais e a realização de transmissões em tempo real para demonstrar que não se trata de uma imagem sintética gerada por computador. Ela relata as medidas que adota para contornar a desconfiança: “Já teve situação em que eu precisei gravar vídeo sem maquiagem, sem filtro, ao vivo, virando o rosto, mostrando o corpo de vários ângulos, só para provar que eu não era inteligência artificial”.
Impacto na rotina de trabalho digital
Apesar dos transtornos operacionais que afetam seu fluxo de trabalho e potencial de faturamento, Flávia Barone passou a encarar a situação com ironia diante da repetição dos casos. A necessidade de validar sua própria existência física integrou-se à sua rotina profissional como um requisito indispensável para evitar prejuízos e manter as contas ativas. Ao refletir sobre a estranheza dessa exigência recorrente no mercado digital atual, ela conclui sobre o processo: “Hoje eu acho engraçado, porque virou quase um procedimento padrão. Às vezes, para continuar trabalhando, eu preciso provar que eu existo”.



