Saiba quem poderá cruzar a fronteira de Rafah após reabertura feita por Israel
Medida faz parte de plano de paz e permite trânsito controlado de pacientes e moradores entre Egito e o enclave palestino
A passagem de Rafah, fronteira estratégica entre a Faixa de Gaza e o Egito, retomou suas operações nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, após permanecer fechada desde maio de 2024. A reabertura ocorre sob rígidas restrições, permitindo um fluxo limitado de pessoas em ambos os sentidos. Informações da agência egípcia AlQahera News indicam que cerca de 50 indivíduos devem cruzar em cada direção inicialmente, enquanto a emissora israelense Kan estima um total de 150 transeuntes, incluindo pacientes que aguardam tratamento médico. O funcionamento do posto fronteiriço está programado para ocorrer durante aproximadamente seis horas diárias, mediante controle das autoridades locais.
Esta medida integra o plano de paz impulsionado pelo governo norte-americano, visando encerrar o conflito iniciado em outubro de 2023. A União Europeia classificou a ação como uma “etapa positiva e concreta”, mantendo uma missão civil no local para supervisionar as atividades. Kaja Kallas, chefe da diplomacia do bloco europeu, ressaltou a importância humanitária da decisão. “Para os doentes e feridos de Gaza, a reabertura é uma tábua de salvação”, afirmou ela, destacando que a operação visa monitorar o trânsito na região. Não houve anúncio imediato sobre o aumento do fluxo de ajuda humanitária, que segue transitando majoritariamente pelo posto de Kerem Shalom.
Protocolos de segurança e saúde
Para atravessar a fronteira, é exigida uma autorização prévia dos serviços de segurança, e o local conta com sistemas de reconhecimento facial. Estima-se que 20 mil palestinos necessitem deixar o enclave para receber cuidados de saúde. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) apontou obstáculos no processo. Claire Nicolet, representante da ONG, descreveu o trâmite como um “procedimento extremamente difícil”, citando que há “muito pouca visibilidade sobre quem será autorizado a sair e quando”. A complexidade burocrática gera incertezas para os pacientes que aguardam a liberação para tratamento no exterior, permitindo-se apenas dois acompanhantes familiares por paciente autorizado.
O retorno de moradores ao território palestino também impõe limitações, como restrições de bagagem e proibição de objetos metálicos. A reabertura reacende a expectativa de reencontros familiares. Ahmad, retido em Ramallah há mais de dois anos, expressou seu desejo de voltar. “Temos de voltar para nossa terra. Esperamos que a passagem abra de vez, para retornar e nos instalar em uma tenda, sobre as ruínas de nossa casa”, declarou. Sua esposa, Dalia, relatou a angústia da separação e a esperança do retorno. “As crianças esperam pelo pai, elas sentem muita falta. Minha filha também, era muito pequena quando ele saiu. E eu também, claro, sinto muita falta do meu marido. Se Deus quiser, estaremos reunidos novamente”, disse ela.
Retorno da administração local
Além do trânsito de civis, a reabertura viabiliza o regresso dos 15 integrantes do Comitê Nacional para a Administração de Gaza. Este grupo ficará encarregado da gestão transitória do território, em conformidade com as diretrizes do plano de paz vigente. Paralelamente, governos do Egito e da Jordânia reiteraram posicionamento contrário a deslocamentos forçados populacionais. Ambos os países manifestaram oposição a “qualquer tentativa de deslocamento do povo palestino para fora de sua terra”, sinalizando preocupação com a estabilidade demográfica da região diante das novas movimentações na fronteira.



