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Jornalista preso na Turquia enfrenta risco grave se for enviado ao Irã

Kaveh Taheri foi detido enquanto viajava para consulado e defesa aponta falta de provas para ameaça à segurança

As autoridades da Turquia detiveram o jornalista independente iraniano Kaveh Taheri, que agora enfrenta um processo de deportação para seu país de origem. O profissional, reconhecido como refugiado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), foi capturado na cidade de Sakarya, no noroeste turco, enquanto se deslocava para uma consulta de visto em Istambul. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) emitiu um alerta sobre a situação, destacando que o retorno forçado ao Irã pode representar graves riscos à integridade física do repórter, dado seu histórico de atuação em defesa dos direitos humanos e colaboração com a imprensa internacional.

A detenção ocorreu em 26 de janeiro, e uma ordem de deportação foi emitida dois dias depois, sob a justificativa de ameaça à segurança nacional. O advogado de defesa, Salih Efe, contestou a legalidade da medida, afirmando que seu cliente possuía autorização de viagem válida. Segundo o representante legal, a alegação de risco à segurança é uma “justificativa padrão frequentemente usada contra jornalistas e aqueles que as autoridades desfavorecem”. Atualmente, Taheri encontra-se sob custódia no Centro de Remoção de Kocaeli, aguardando os desdobramentos legais sem uma data definida para audiência ou apresentação de provas concretas.

Histórico de perseguição no Irã

Kaveh Taheri mantém um histórico de colaboração com veículos internacionais, como o HuffPost e o The Times of Israel, além de produzir análises geopolíticas em plataformas digitais. O jornalista já havia sido alvo da inteligência iraniana em 2012, quando permaneceu detido por quase um ano na Prisão Adel Abad, em Shiraz. Durante esse período, relatou ter sofrido tortura e sido coagido a realizar uma confissão falsa. Recentemente, seus textos no Substack abordavam denúncias sobre corrupção governamental e violações de direitos, o que amplia o temor de represálias caso seja entregue às forças de segurança de Teerã.

A família do jornalista manifestou profunda apreensão quanto ao desfecho do caso. Laleh, irmã de Taheri, conseguiu um breve contato via aplicativo de mensagens após a prisão e relatou a angústia dos familiares diante da possibilidade de retorno forçado. “Estamos realmente preocupados. Ele está prestes a ser deportado para o Irã, o que seria fatal”, declarou Laleh ao CPJ. A defesa reitera que, apesar do acesso ao processo, não foram apresentados relatórios de inteligência que sustentem as acusações, classificando a prisão como um ato arbitrário dentro de um ciclo de assédio administrativo que ignora decisões judiciais anteriores.

Apelo por segurança internacional

Diante do cenário, organizações internacionais cobram que a Turquia respeite suas obrigações legais e humanitárias. Sara Qudah, diretora regional do CPJ, enfatizou a gravidade da situação ao afirmar que “deportar Kaveh Taheri para o Irã pode colocar sua vida em sério risco”. A entidade exige a interrupção imediata do processo de deportação para que o profissional possa buscar segurança em um terceiro país. O episódio ocorre em um contexto de repressão intensificada no Irã desde o final de 2025, enquanto a Turquia continua sendo monitorada por entidades de imprensa devido ao tratamento dispensado a jornalistas críticos e correspondentes estrangeiros em seu território.

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