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Milei dança em show enquanto Patagônia arde em chamas e decreta emergência

Medida abrange quatro províncias e libera 100 bilhões de pesos após críticas sobre cortes orçamentários e inação do governo federal

O governo da Argentina comunicou a decisão de instaurar estado de emergência em virtude da progressão das queimadas que já devastaram mais de 45 mil hectares de vegetação na região da Patagônia desde o começo do ano. Manuel Adorni, chefe de Gabinete da presidência, informou através das redes sociais que a medida de necessidade e urgência englobará as províncias de Chubut, Río Negro, Neuquén e La Pampa. O objetivo principal do decreto é agilizar o trâmite burocrático para o envio de recursos necessários à prevenção e ao combate aos focos de incêndio que assolam a região sul do país.

Anteriormente, os governadores dos estados patagônicos haviam sinalizado que “a magnitude dos incêndios” demandava “ferramentas excepcionais”, especialmente diante de um cenário de alterações climáticas adversas e diminuição de verbas estatais para desastres ambientais. A administração de Javier Milei enfrenta críticas severas devido à redução de orçamento para parques nacionais e desmantelamento de órgãos ambientais. A liberação de fundos ocorreu após a repercussão negativa da presença do presidente em um espetáculo de sua ex-namorada, Fátima Florez, em Mar del Plata, enquanto negava verbas adicionais e exaltava nas redes a “histórica luta contra o fogo”.

Recursos financeiros e cortes orçamentários

Na quinta-feira, o governo federal destinou 100 bilhões de pesos, aproximadamente 360 milhões de reais, para associações de bombeiros voluntários e para a Agência Federal de Emergências. O texto oficial define que o montante servirá para a “compra de equipamentos, materiais, uniformes e outros itens destinados ao combate a incêndios e à proteção civil da população, bem como à conservação e manutenção em perfeito estado e condições de uso dos mesmos”. Contudo, Andrés Nápoli, da Fundação Ambiente e Recursos Naturais, apontou que o orçamento nacional para manejo do fogo sofreu redução de 71% em 2026, ressaltando que “Os legisladores que representam as províncias afetadas pelos incêndios aprovaram essas reduções por um acordo global com o governo”.

O cenário mais crítico encontra-se no Parque Nacional Los Alerces, em Chubut, onde 20 mil hectares de floresta andina foram consumidos pelas chamas. O incêndio teve origem na queda de um raio em 9 de dezembro e, nas últimas semanas, expandiu-se de forma descontrolada em direção ao norte de Cholila, uma cidade habitada por cerca de 2.800 pessoas. Outro foco significativo na mesma província atinge cerca de 22 mil hectares entre a região de Puerto Patriada e a localidade de Epuyén, colocando áreas residenciais sob risco iminente.

Situação crítica no parque nacional

As equipes de combate relatam extrema dificuldade para conter o avanço do fogo rumo às moradias vizinhas. Um dos bombeiros que atua na região, identificado como Manuel, descreveu a gravidade da situação à imprensa internacional: “Estou há 15 anos no corpo de bombeiros e é a primeira vez que vejo um incêndio queimando dessa maneira. (…) Não damos conta”. Diante do agravamento do cenário, o Serviço Nacional de Manejo do Fogo manteve o alerta vermelho para a região, que segue com previsão de ventos fortes e temperaturas elevadas, fatores que dificultam os trabalhos de extinção das chamas.

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