Israel confirma número de vítimas em Gaza e Hamas faz declaração sobre armas
Militares israelenses validam dados do Ministério da Saúde local durante trégua, enquanto grupo palestino afirma que entrega de armamento não foi negociada
As Forças Armadas de Israel (FDI) reconheceram, nesta quinta-feira, que o total de vidas perdidas na Faixa de Gaza ultrapassa a marca de 71 mil pessoas. A estimativa alinha-se aos dados apresentados pelo Ministério da Saúde local, vinculado à administração do Hamas. O reconhecimento oficial ocorre durante um período de trégua instável, após mais de dois anos de conflito, e marca uma mudança de postura das autoridades israelenses em relação às estatísticas divulgadas pelos palestinos, coincidindo com o travamento na implementação do plano de paz para a região.
Anteriormente, a contagem de vítimas fatais gerava intensas divergências, com representantes de Israel acusando frequentemente a imprensa e organizações internacionais, incluindo a ONU, de promoverem a versão do Hamas ao repercutirem números que consideravam inflados. No entanto, os militares agora classificam os dados como confiáveis, embora ressaltem que ainda realizam análises para distinguir quantos dos falecidos participavam de movimentos armados e quantos eram civis. As autoridades palestinas também não fornecem esse detalhamento específico em seus relatórios oficiais.
Divergências sobre dados e acesso da imprensa
Apesar do consenso sobre o número total de óbitos, o Exército israelense contesta outras estatísticas do ministério palestino, especificamente as que apontam 440 falecimentos decorrentes de desnutrição e inanição. Israel alega que tais dados são manipulados e incluem indivíduos com problemas de saúde preexistentes. A verificação independente dos fatos permanece dificultada devido às restrições impostas à atuação de jornalistas e órgãos internacionais no enclave. A Associação de Imprensa Estrangeira em Israel criticou recentemente a Suprema Corte pelo adiamento da análise de um pedido para livre acesso à região.
No campo diplomático, o Hamas sinalizou disposição para transferir a administração governamental de Gaza para um comitê tecnocrático palestino, mas mantém resistência quanto ao desarmamento total do grupo. Moussa Abu Marzouk, alto funcionário da organização, declarou à rede Al-Jazeera que o movimento nunca concordou em entregar seus arsenais. Segundo ele, o tema não foi pautado diretamente nas conversas com mediadores ou representantes americanos até o momento, sugerindo também que o grupo poderia exercer poder de veto sobre nomeações para o novo comitê de gestão.
Posicionamento sobre negociações de armamento
Marzouk indicou que a questão das armas poderia ser debatida futuramente, desde que o tópico fosse levado formalmente à mesa de negociações, mas reforçou a inexistência de acordos prévios nesse sentido. Em sua fala à emissora, o representante enfatizou a ausência de diálogo sobre o assunto: “Ainda não discutimos sobre armas. Ninguém falou diretamente conosco sobre isso. Não conversamos com o lado americano nem com os mediadores sobre essa questão, então não podemos falar sobre o que isso significa ou qual é o objetivo”.



