Artistas ampliam boicote a Trump após mudanças no Kennedy Center e operações do ICE
Billie Eilish e Bruce Springsteen protestam contra política imigratória enquanto Jennifer Lawrence recua de atos públicos
A relação entre o governo dos Estados Unidos e a classe artística enfrenta um novo pico de tensão no início de 2026. O cenário de conflito foi agravado por mudanças administrativas no Kennedy Center, principal centro cultural do país, e pela escalada da violência em operações federais de imigração em Minnesota. Enquanto parte das celebridades opta por manifestações diretas e cancelamento de apresentações, outras figuras públicas buscam formas alternativas de posicionamento diante da polarização política que marca o atual mandato de Donald Trump.
No centro da disputa institucional está o John F. Kennedy Center for the Performing Arts. Após assumir a presidência do conselho da entidade, Trump reformulou o corpo de curadores, nomeando aliados como Usha Vance e Suzie Wiles. Houve ainda a alteração do nome na placa de entrada para Trump-Kennedy Center, mudança que é contestada judicialmente. Em resposta direta, o compositor Philip Glass retirou a autorização para a estreia de sua Sinfonia nº 15 no local. Em carta enviada à instituição, Glass afirmou que a obra entra em conflito com os valores hoje representados pelo centro cultural e solicitou que a peça não fosse executada.
Onda de cancelamentos e divergências
O movimento de recusa, iniciado pela Ópera Nacional de Washington que deixou o espaço, foi seguido por outros nomes de peso. A soprano Renée Fleming, o Quarteto Brentano e a Companhia de Dança Martha Graham estão entre os que cancelaram apresentações no local. Em contrapartida, a Orquestra Sinfônica Nacional decidiu permanecer, gerando debates internos. Em meio a esse cenário, a atriz Jennifer Lawrence adotou postura distinta em entrevista ao New York Times, afirmando que declarações públicas não “adiantam nada” no atual ambiente polarizado, preferindo expressar-se através de seu trabalho para não esvaziar a mensagem.
Além das disputas institucionais, o Festival de Cinema de Sundance tornou-se palco de protestos contra o Immigration and Customs Enforcement (ICE). Artistas como Edward Norton e Natalie Portman usaram broches com a inscrição “ICE out”. Durante o evento, a cantora Billie Eilish fez um discurso contundente sobre o clima político. “Estamos vendo nossos vizinhos sendo sequestrados, manifestantes pacíficos sendo agredidos e mortos, nossos direitos civis sendo retirados, recursos para combater a crise climática sendo cortados em favor dos combustíveis fósseis e da agropecuária animal que está destruindo o nosso planeta, e o acesso das pessoas à alimentação e à saúde se tornando um privilégio para os ricos, em vez de um novo direito humano básico para todos os americanos”, declarou a artista.
Repercussão dos confrontos em Minnesota
As manifestações ganharam força após operações federais resultarem em cidadãos perdendo a vida em Minneapolis. Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos, e Renne Good, poetisa de 31 anos, faleceram durante as ações. Relatos indicam que Good estava desarmada dentro de seu veículo quando foi atingida. Refletindo a comoção social, Bruce Springsteen lançou a canção “Streets of Minneapolis”, referenciando os ocorridos e criticando a atuação da agência federal, somando-se ao movimento que organizou cerca de 600 eventos de conscientização pelo país no ano anterior.



