Ex-primeira-dama da Coreia do Sul é condenada a prisão por suborno
Kim Keon Hee foi considerada culpada por aceitar subornos da Igreja da Unificação; marido e ex-presidente também cumpre pena de reclusão.
Kim Keon Hee, antiga primeira-dama da Coreia do Sul, recebeu uma sentença de um ano e meio de reclusão nesta quarta-feira (28/1). A condenação decorre de acusações de suborno envolvendo a Igreja da Unificação e o recebimento de itens de luxo. Esposa do ex-presidente Yoon Suk Yeol, que também se encontra detido, Kim enfrentou o tribunal sob diversas alegações, incluindo interferência política, embora tenha negado a autoria dos crimes imputados pela promotoria sul-coreana durante o processo.
O tribunal a considerou culpada por aceitar subornos de membros da organização religiosa em troca de favores comerciais, mas a absolveu das denúncias referentes à manipulação de preços de ações da Deutsch Motors e violação de leis de financiamento de campanha. A acusação sustentava que ela teria lucrado mais de 800 milhões de wons no esquema de ações e recebido presentes avaliados em 80 milhões de wons, incluindo bolsas da marca Chanel e um colar de diamantes.
Polêmicas acadêmicas e currículo
Antes de assumir o posto ao lado do marido, a trajetória de Kim já era marcada por questionamentos públicos, especialmente em relação à sua vida acadêmica e profissional. A Universidade Feminina de Sookmyung anulou seu diploma após a confirmação de plágio em sua tese, e surgiram evidências de que ela incluiu informações falsas em candidaturas de emprego. Na época, ela pediu desculpas pelo que chamou de “exageros” e prometeu se dedicar “exclusivamente em seu papel como esposa” caso o marido fosse eleito.
A conduta da ex-primeira-dama voltou a ser questionada no final de 2023, quando imagens de uma câmera escondida revelaram o recebimento de uma bolsa de luxo entregue por um pastor. No vídeo, gravado secretamente em um relógio, Kim questiona o religioso: “Por que você continua me trazendo essas coisas?”. O episódio gerou forte reação popular e, embora o gabinete presidencial tenha afirmado que a peça estava “sendo armazenada como propriedade do governo”, o caso impulsionou investigações por violação de leis anticorrupção.
Sentença do ex-presidente Yoon
Os promotores haviam solicitado uma pena maior, argumentando que a ré “se achava acima da lei” e conspirou para enfraquecer a “separação constitucional entre religião e Estado”. A sentença de Kim ocorre pouco depois de seu marido, Yoon Suk Yeol, ter sido condenado a cinco anos de prisão por abuso de poder relacionado a uma tentativa de impor lei marcial. O casal protagoniza um momento inédito na história da Coreia do Sul, sendo a primeira vez que um ex-presidente e uma ex-primeira-dama cumprem penas de reclusão simultaneamente.



