Marco Rubio confirma controle dos EUA sobre receitas de petróleo venezuelano
Secretário de Estado afirma que governo venezuelano precisa justificar gastos mensais para acessar recursos anteriormente embargados
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou durante uma audiência no Senado norte-americano que as receitas provenientes da comercialização de petróleo da Venezuela, anteriormente sob embargo, estão sendo depositadas em um fundo gerido por Washington. De acordo com o representante da diplomacia dos EUA, cabe agora às autoridades norte-americanas a decisão final sobre a destinação e o uso desses valores pelo governo venezuelano, estabelecendo um novo protocolo de controle financeiro sobre os recursos do país sul-americano.
Para acessar o capital, a administração da Venezuela deve submeter solicitações mensais detalhadas, apresentando justificativas que comprovem o uso do dinheiro em benefício da população. Rubio informou que já foi autorizada a liberação de 300 milhões de dólares para complementar o orçamento do governo de Delcy Rodríguez, visando cobrir despesas com policiamento, saneamento básico e outras necessidades fundamentais. O secretário argumentou que a nação atravessa uma fase de transição e encontra-se em uma situação mais estável do que no período anterior à operação realizada em janeiro.
Gestão de recursos e contexto político
A mudança na gestão dos recursos ocorre após uma ação dos Estados Unidos em Caracas, realizada em 3 de janeiro, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro. Marco Rubio defendeu a intervenção e o atual modelo de gestão financeira, alegando que o cenário no país está muito melhor do que antes da ação. O esquema de controle abrange especificamente as receitas geradas por ativos petrolíferos que estavam bloqueados por sanções anteriores, condicionando a liberação de verbas à aprovação direta de Washington mediante a análise dos pedidos enviados por Caracas.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, confirmou publicamente o desbloqueio dos fundos, embora não tenha especificado inicialmente o grau de supervisão exercido pelos norte-americanos. Em pronunciamento na televisão estatal VTV, ela destacou a importância da medida para o setor de saúde. “Estamos desbloqueando recursos da Venezuela, que pertencem ao povo da Venezuela. Estamos desbloqueando esses recursos e isso vai permitir que possamos investir recursos importantes em equipamentos para os hospitais, equipamentos que estamos adquirindo nos Estados Unidos e em outros países”, afirmou Rodríguez.
Relações bilaterais e diplomacia
Apesar da cooperação financeira, o clima político permanece complexo. Rodríguez expressou descontentamento com a postura impositiva de Washington desde a operação militar, afirmando estar farta das ordens vindas dos Estados Unidos. No entanto, a presidente interina defende a manutenção da via diplomática como caminho para a estabilidade. Segundo ela, é necessário resolver de “uma vez e para sempre” as contradições históricas e os conflitos existentes entre as duas nações, caracterizando o atual momento como uma batalha diplomática em busca de soberania e entendimento mútuo.



