Investigação do Banco Master sofre reviravolta com decisão da PF
Advogados alegaram tempo insuficiente para analisar inquérito; apenas um ex-diretor foi ouvido por videoconferência nesta terça-feira
A Polícia Federal decidiu remarcar três dos quatro depoimentos que estavam previstos para ocorrer nesta terça-feira no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. A determinação para suspender as oitivas foi tomada após os advogados de defesa dos envolvidos argumentarem que não tiveram tempo hábil para acessar e analisar integralmente os autos do inquérito. Segundo as informações apuradas, apenas um dos investigados agendados para a data prestou esclarecimentos às autoridades, enquanto os demais procedimentos foram adiados pela delegada responsável, Janaína Palazzo, para garantir o cumprimento dos ritos processuais.
As defesas de Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do Banco de Brasília (BRB), de Angelo Antonio Ribeiro da Silva, ex-diretor do Banco Master, e de Augusto Ferreira Lima, antigo sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, comunicaram formalmente a impossibilidade de realização dos interrogatórios. O argumento central apresentado foi a ausência de acesso completo ao material probatório reunido pela Polícia Federal, o que inviabilizaria o exercício pleno da defesa técnica neste momento. Diante da solicitação, a autoridade policial optou pelo adiamento das audiências desses três convocados.
Depoimento realizado e colaboração
O único depoimento concretizado na data foi o de Luiz Antonio Bull, ex-diretor do Banco Master. O executivo encontra-se detido desde a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, ocorrida em novembro do ano passado, e atualmente responde ao processo em liberdade monitorada com o uso de tornozeleira eletrônica. A oitiva foi realizada por meio de videoconferência. Após o término do procedimento, o advogado Augusto de Arruda Botelho, que representa Bull, informou que seu cliente respondeu a todas as perguntas formuladas pelos investigadores e que manterá a postura de colaborar com as autoridades competentes.
A dinâmica de adiamentos e silêncio segue um padrão já observado no dia anterior, segunda-feira, quando as oitivas também foram marcadas por intercorrências. Naquela ocasião, dois investigados, Henrique Souza e Silva Peretto e André Felipe de Oliveira Seixas Maia, executivos ligados à empresa Tirreno, não compareceram ao Supremo Tribunal Federal. Além das ausências, houve registro do uso do direito ao silêncio por parte de Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master, que se limitou a declarar que apenas cumpria ordens dentro da instituição financeira antes de encerrar sua participação.
Cronograma das oitivas agendadas
O planejamento original estabelecido pelas autoridades policiais previa uma divisão logística entre depoimentos presenciais em Brasília e participações por videoconferência. Para a terça-feira, a agenda incluía as falas de Robério Cesar Bonfim Mangueira e Augusto Ferreira Lima de forma presencial, enquanto Angelo Antonio Ribeiro da Silva seria ouvido remotamente. Com a decisão de remarcar as oitivas, o objetivo é assegurar que as defesas tenham contato com o conteúdo total das apurações antes que os investigados sejam submetidos aos questionamentos oficiais da Polícia Federal sobre o suposto esquema.



