Operação policial em Portugal prende líderes de organização neonazista armada
Investigação mira 37 suspeitos, incluindo militares e políticos, acusados de incitar ódio e preparar ataques coordenados contra imigrantes
Autoridades de segurança pública em Portugal deflagraram a operação Irmandade, uma ação coordenada que resultou no desmantelamento de uma organização criminosa de viés neonazista identificada como Grupo 1143. A investigação tem como alvo pelo menos 37 pessoas suspeitas de orquestrar o que denominavam de “guerra racial” contra minorias étnicas residentes no território português. De acordo com os documentos apresentados pela promotoria, a estrutura do grupo operava sob uma hierarquia rígida comandada por Mário Machado, figura que já cumpriu pena anteriormente por outros delitos relacionados a crimes de ódio. As apurações indicam que os membros não se limitavam apenas a discursos de incitação, mas avançavam para o planejamento concreto de ofensivas amplas contra grupos específicos da sociedade.
O monitoramento das atividades do grupo incluiu a interceptação de conversas telefônicas entre Machado e seu braço direito, Gil Costa. O conteúdo dos áudios sugere que a liderança organizava esquadrões com o intuito de realizar ataques intimidatórios e violentos contra cidadãos pertencentes a minorias. Além da organização tática, as autoridades descobriram que o grupo mantinha preparativos de natureza militar em um campo de treinamento localizado nas proximidades de Lisboa. O espaço era utilizado para exercícios práticos visando um conflito em larga escala, evidenciando o nível de periculosidade e a disposição dos envolvidos em concretizar as ameaças proferidas em seus canais de comunicação.
Planejamento de atos hostis
As investigações revelaram ainda que o grupo realizava provocações sistemáticas contra a comunidade islâmica, utilizando cartazes e vídeos que retratavam Maomé associado a atos de terrorismo e comportamentos abusivos. Durante as conversas grampeadas, os líderes mencionaram explicitamente as ações de organizações de direita radical ocorridas na província de Múrcia, na Espanha, como um exemplo a ser seguido. Em julho passado, grupos extremistas espanhóis realizaram investidas contra imigrantes norte-africanos, e esse modelo de atuação serviu de inspiração para o planejamento das operações do Grupo 1143 em solo português, demonstrando uma tentativa de internacionalizar táticas de segregação violenta.
Entre os suspeitos identificados na operação, encontram-se indivíduos que ocupam posições em instituições de segurança e defesa do Estado, além de figuras ligadas à política partidária. A lista de investigados inclui um agente da polícia, um militar da Força Aérea e diversos membros do Chega, que figura como o principal partido de oposição no Parlamento de Portugal. Como resultado imediato das diligências, cinco suspeitos tiveram a prisão preventiva decretada, enquanto os demais investigados foram submetidos a medidas cautelares diversas, incluindo a proibição expressa de manterem contato entre si para evitar a coordenação de novas atividades ilícitas ou a destruição de provas.
Envolvimento de agentes públicos
A Polícia Judiciária (PJ) divulgou uma nota oficial em seu site detalhando as motivações e o perfil ideológico dos envolvidos na organização criminosa. Segundo o comunicado das autoridades, os investigados, “com idades entre os 30 e os 54 anos, adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes”. A ação das forças de segurança visa impedir a escalada da violência e garantir a proteção das comunidades alvo das ameaças extremistas.



