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Relatório revela posição do Brasil em ranking mundial de violência trans

Levantamento indica queda nos números absolutos, mas alerta para aumento de tentativas e migração dos crimes para o interior do país.

O Brasil permanece na primeira posição global em registros de crimes contra a vida de pessoas trans pelo 18º ano consecutivo. A informação consta no Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras, elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Os dados referentes a 2025 indicam que 80 pessoas perderam a vida em decorrência de atos violentos motivados por transfobia. Embora o número represente uma redução de 34% em comparação ao ano anterior, quando foram contabilizados 122 casos, o cenário nacional ainda apresenta índices severos de violência letal contra essa população.

O levantamento destaca que, apesar da diminuição nos óbitos consumados, houve um crescimento nas tentativas de tirar a vida dessas vítimas, subindo de 57 para 75 registros no período de um ano. O documento ressalta barreiras estruturais que dificultam o enfrentamento dessa realidade, incluindo a subnotificação de casos, a inexistência de estatísticas governamentais oficiais e a cobertura jornalística insuficiente em diversas localidades. A persistência desses crimes demonstra a gravidade da situação, mesmo diante da variação numérica observada entre os anos analisados pela organização.

Perfil das vítimas e interiorização da violência

A análise geográfica aponta que a região Nordeste concentra a maior parte das ocorrências, seguida por índices recorrentes no Sudeste. O perfil das vítimas é majoritariamente composto por travestis e mulheres trans, negras e jovens, que se encontram em contextos de vulnerabilidade social. Um dado relevante do relatório é o deslocamento da violência para cidades menores: em 2025, 67,5% dos crimes ocorreram no interior, enquanto 32,5% foram registrados nas capitais. Segundo a Antra, essa migração para áreas com menor estrutura estatal aumenta o risco de invisibilidade dos falecimentos.

Entre os episódios citados no dossiê está o caso da cozinheira Danielly Rocha, de 37 anos, encontrada sem vida em maio de 2025 no Rio de Janeiro. Testemunhas relataram que ela chegou ao local acompanhada de um homem. Outro registro ocorreu na Bahia, onde um homem confessou ter tirado a vida de Ryana, de 18 anos, durante uma viagem. A jovem faleceu após ser estrangulada. Os estados do Ceará e Minas Gerais lideraram as estatísticas estaduais, com oito registros cada, seguidos por Bahia e Pernambuco, que contabilizaram sete ocorrências cada um ao longo do ano.

Necessidade de políticas públicas e investigação

O documento da Antra não apenas mapeia os óbitos, mas também enfatiza a urgência de estratégias governamentais efetivas. O texto defende a implementação de ações voltadas à prevenção da violência, garantia de investigações rigorosas para identificar os responsáveis e medidas de inclusão social. A entidade argumenta que a ausência de redes de apoio e a presença limitada do Estado em determinadas regiões contribuem para a perpetuação desse ciclo de agressões, exigindo uma resposta coordenada para proteger a integridade da população travesti e transexual brasileira.

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