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A verdade sobre o jovem executado que foi inocentado 70 anos depois

Tommy Lee Walker foi sentenciado à pena capital por crime que não cometeu; revisão apontou racismo e coação policial no processo original.

Quase sete décadas após a aplicação da pena capital, as autoridades do condado de Dallas, no Texas, reconheceram oficialmente a inocência de Tommy Lee Walker. O norte-americano tinha apenas 19 anos quando foi sentenciado por tirar a vida de Venice Parker, uma balconista, em um processo judicial permeado por irregularidades. A decisão histórica ocorre após uma análise detalhada que evidenciou a falta de provas materiais e o contexto de segregação racial que influenciou a condenação na década de 1950. Walker, que sempre alegou inocência, teve sua vida interrompida pelo Estado com base em confissões obtidas sob circunstâncias questionáveis.

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Em 1953, Walker foi detido sob a acusação de atacar Parker, que sofreu violência sexual e ferimentos graves enquanto aguardava transporte após o trabalho. A vítima faleceu no hospital e, segundo investigações recentes do Innocence Project, não teria condições físicas de falar devido à gravidade das lesões na garganta, contradizendo o relato policial da época de que ela descreveu o agressor. A prisão foi efetuada quatro meses depois por Will Fritz, então chefe do Departamento de Homicídios, identificado posteriormente como integrante de um grupo extremista que perseguia a população negra.

Coação policial e falhas no julgamento

A defesa apresentou um álibi sólido durante o tribunal, com dez testemunhas confirmando que o jovem estava no hospital acompanhando o nascimento de seu filho no momento exato do crime. Apesar disso, Walker foi submetido a longos interrogatórios com ameaças de uso da cadeira elétrica e apresentação de evidências fabricadas. Sob intensa pressão psicológica e exaustão, ele assinou declarações assumindo a autoria do ato, embora tenha negado consistentemente a violência íntima contra a vítima e tentado retratar-se logo em seguida, sem sucesso.

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O processo foi conduzido pelo promotor Henry Wade, cuja gestão é associada à condenação de diversos homens negros inocentes. Durante o julgamento, a acusação teria ocultado provas favoráveis à defesa e utilizado argumentos falsos para garantir a sentença máxima, chegando a depor como testemunha. Mesmo com as inconsistências apontadas e a promessa policial de que a confissão evitaria a pena capital, o recurso foi negado e a execução de Walker ocorreu na cadeira elétrica em 1956, encerrando o caso de forma trágica na época.

Revisão do caso e declaração de inocência

A absolvição póstuma resultou de uma colaboração entre a Promotoria de Dallas, o Innocence Project e uma universidade, que revisaram o caso minuciosamente. O Conselho de Comissários aprovou a resolução declarando que Walker foi punido injustamente. Edward Smith, filho do jovem, comentou o impacto da ausência paterna. “Foi difícil crescer sem um pai”, disse. Ele acrescentou: “Quando eu estava na escola, as crianças falavam sobre seus pais, e eu não tinha nada a dizer. Isso não vai trazê-lo de volta, mas agora o mundo sabe o que sempre soubemos — que ele era um homem inocente. E isso traz um pouco de paz.”

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