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Quem assiste BBB não lê livros? Entenda a polêmica sobre cultura e lazer

Bookster defende na CNN que entretenimento e clássicos podem coexistir e critica a hierarquização cultural que busca distinção social

Com o início de mais uma temporada do Big Brother Brasil, ressurge nas redes sociais a discussão recorrente sobre a suposta incompatibilidade entre acompanhar reality shows e manter o hábito da leitura. Durante participação no quadro Leitura do Fato, da CNN Brasil, Pedro Pacífico, conhecido popularmente como Bookster, analisou essa dicotomia frequente. O influenciador literário questionou a validade de separar essas duas formas de consumo cultural de maneira rígida, argumentando contra a ideia preconcebida de que apreciar um programa de televisão de massa anularia o interesse ou a capacidade de consumir obras literárias complexas.

Segundo a análise apresentada, existe um movimento social que busca utilizar a literatura como um instrumento de diferenciação, colocando o entretenimento televisivo em uma posição inferior para criar distinção social. Pacífico explicou que essa visão ignora o fato de que os livros também cumprem uma função primordial de lazer e não apenas de estudo. Em sua fala, ele destacou: “Existe uma tendência muito forte das pessoas quererem hierarquizar o que é cultura, o que é consumido. Então, o entretenimento seria algo pior do que a cultura”. Para o especialista, julgar o intelecto de alguém baseando-se apenas no que assiste na televisão constitui um recorte limitado da realidade daquela pessoa, visto que uma atividade não exclui a outra.

paralelos entre obras distópicas e o reality show

O debate avançou para as semelhanças temáticas entre a dinâmica do programa e grandes clássicos da literatura mundial. Obras como “1984”, de George Orwell, “O Senhor das Moscas” e “Jogos Vorazes” foram citadas como exemplos que exploram o monitoramento contínuo e o comportamento humano sob pressão, elementos centrais no formato do BBB. Ao traçar esse paralelo, Pacífico observou: “No Big Brother você está a todo momento sendo monitorado, suas ações são julgadas pelo outro. Isso a gente vê muito no livro “1984”, porque quem está de fora fica julgando e tentando colocar quem é o do bem, quem é o do mal”. A comparação reforça que temas profundos sobre vigilância e julgamento social podem ser identificados em diferentes mídias.

Além das comparações literárias, houve uma crítica direcionada àqueles que julgam os espectadores do reality show sem possuírem, eles mesmos, hábitos de leitura consolidados. O especialista apontou que o consumo de conteúdos rápidos e superficiais nas telas muitas vezes substitui os livros na rotina dos críticos. Ele também abordou a pressão contemporânea por produtividade constante, defendendo o direito ao descanso sem culpa e sem a necessidade de validação intelectual ininterrupta. Sobre essa cobrança, afirmou: “Eu assisti a um Big Brother, é um momento meu de descanso, eu não preciso ficar o tempo todo lendo um livro de empreendedorismo”.

o impacto da cultura da produtividade no lazer

A reflexão encerrou-se com a defesa de que cultura e entretenimento não são categorias excludentes, mas sim complementares na formação de um indivíduo. Pacífico ressaltou que até mesmo dentro do universo literário existe preconceito, como quando leitores de romances leves são julgados por não estarem consumindo clássicos densos o tempo todo. Ele enfatizou a importância de respeitar as escolhas individuais e de compreender a leitura como algo acessível, lembrando que: “A literatura também é diversão, ela é entretenimento, isso é muito importante”. A mensagem final sugere que é perfeitamente viável alternar entre a leitura de autores clássicos e a audiência de programas de variedades.

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