Trump condiciona tarifas de 200% à adesão da França ao Conselho da Paz
Presidente dos EUA pressiona Macron a integrar grupo sobre Gaza; Eliseu considera inaceitável vincular comércio à diplomacia e rejeita ultimato
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (20) que poderá aplicar tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A medida serve como instrumento de pressão para que o presidente da França, Emmanuel Macron, aceite integrar o recém-criado Conselho da Paz. O organismo internacional, idealizado pela administração norte-americana, tem como objetivo inicial supervisionar a situação na Faixa de Gaza e, posteriormente, expandir sua atuação para lidar com outros conflitos globais. A iniciativa será presidida pelo próprio Trump e tem levantado debates sobre seus custos e impactos na governança global.
Informações divulgadas pela agência Reuters indicam que Macron pretende recusar o convite, o que gerou reação imediata do republicano. Ao ser questionado sobre a postura do líder francês, Trump disparou: “Ele disse isso mesmo? Bem, ninguém o quer porque ele estará fora do cargo muito em breve”. Em seguida, o mandatário norte-americano detalhou a estratégia econômica coercitiva: “Vou impor uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes e, assim, ele vai aderir, mas ele não precisa”. Um assessor do Palácio do Eliseu classificou como inaceitável o uso de taxas comerciais sobre bebidas para influenciar a política externa de uma nação soberana.
Tensão diplomática e mensagens vazadas
Além das ameaças econômicas, o cenário diplomático foi marcado pela divulgação de uma conversa privada entre os dois líderes na plataforma Truth Social. Na mensagem exposta por Trump, Macron demonstrava alinhamento sobre a Síria e o Irã, mas questionava as intenções americanas sobre a Groenlândia. “Estamos totalmente alinhados em relação à Síria. Podemos fazer grandes coisas em relação ao Irã. Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia. Vamos tentar construir grandes coisas”, escreveu o francês, que também convidou o republicano para um jantar em Paris. Não houve confirmação pública de resposta ao convite por parte do presidente dos EUA.
O Conselho da Paz constitui a segunda etapa de um plano dos Estados Unidos para encerrar as hostilidades no Oriente Médio. As atribuições do órgão incluem a supervisão do desarmamento do Hamas, a coordenação da reconstrução da Faixa de Gaza e o auxílio na formação de um governo local após o conflito. O comitê executivo fundador conta com nomes como o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o genro do presidente Jared Kushner e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. A iniciativa busca engajar diversas nações para legitimar as ações propostas para a região.
Adesão internacional e posição do Brasil
A administração Trump estendeu convites a mais de 12 países, incluindo Rússia, Canadá, Egito e Turquia. Na América do Sul, os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Paraguai, Santiago Peña, já confirmaram a participação no colegiado. Em contrapartida, o governo brasileiro, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, adota uma postura de cautela e ainda não firmou compromisso com a iniciativa. Donald Trump também afirmou ter convidado o presidente russo, Vladimir Putin, para compor o grupo, ampliando o escopo geopolítico da organização para além dos aliados tradicionais do Ocidente.



