Política

Trump recua em tarifas e sanções a Moraes após reaproximação com governo Lula

Após início tenso com sobretaxas comerciais, governos retomam diálogo; deportações de brasileiros dobraram no período.

O primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump, ao longo de 2025, foi marcado por uma oscilação radical nas relações bilaterais com o Brasil, transitando de hostilidade comercial para uma reaproximação diplomática no segundo semestre. O republicano iniciou a gestão com uma postura isolacionista, afirmando não precisar do país sul-americano e impondo um tarifaço de até 50% sobre setores estratégicos da pauta de exportação brasileira, como aço e carnes. A Casa Branca justificou as medidas alegando uma “emergência econômica”, ação que contou com a articulação de aliados políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro e resultou em uma queda de 20% nas exportações brasileiras para os Estados Unidos em setembro.

A tensão diplomática atingiu seu ápice em julho, quando o governo norte-americano sancionou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, utilizando a Lei Magnitsky. O magistrado teve bens bloqueados sob a acusação de violar direitos humanos, em um contexto onde Trump criticava o judiciário brasileiro. Entretanto, a pressão inflacionária interna nos EUA, evidenciada pela alta de 40% no preço do café para os consumidores locais, forçou um recuo gradual. Em novembro, grande parte das sobretaxas foi suspensa ou zerada, aliviando o comércio de produtos como suco de laranja e aeronaves, enquanto as negociações técnicas entre os ministérios da Fazenda e do Comércio avançavam.

Mudança de tom e revogação de medidas

A virada na relação consolidou-se após um encontro entre os líderes na ONU, em setembro, quando Donald Trump declarou “Gostei dele” ao referir-se a Lula. Essa abertura culminou na revogação das sanções contra Moraes e sua esposa em 12 de dezembro. O presidente brasileiro comentou a dualidade do comportamento do republicano, afirmando que “temos o Trump da televisão e o da vida pessoal”. Mesmo diante da prisão de Jair Bolsonaro em novembro, motivada por risco de fuga, a reação de Trump foi contida, limitando-se a dizer que “É uma pena”, sem retomar a retórica agressiva ou as medidas punitivas do início do ano.

Apesar da melhora no diálogo, divergências geopolíticas persistem, especialmente após a recente operação militar dos EUA na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro. Washington convidou Lula para um conselho de paz global, mas o Brasil mantém cautela para evitar alinhamento automático. Em artigo publicado no *The New York Times*, Lula criticou a intervenção, ressaltando que “o Hemisfério Ocidental pertence a todos nós” e classificando o uso da força como “particularmente preocupante”. Na Organização dos Estados Americanos, a representação brasileira divergiu da posição norte-americana, tratando o episódio envolvendo o líder venezuelano como sequestro.

Aumento expressivo nas deportações

Enquanto a diplomacia de alto nível busca estabilidade, a política migratória norte-americana endureceu significativamente contra cidadãos brasileiros. Dados oficiais da Polícia Federal e do Ministério dos Direitos Humanos indicam que, somente em 2025, o governo dos Estados Unidos enviou 37 voos com deportados, totalizando 3.200 pessoas repatriadas. O volume representa quase o dobro do registrado no ano anterior, evidenciando que a retórica anti-imigração permanece como um pilar central da administração Trump e segue sendo aplicada com rigor, independentemente da cordialidade diplomática estabelecida recentemente entre os chefes de Estado.

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