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Venezuela: Diosdado Cabello desmente conversas prévias com governo Trump

Ministério do Interior classifica relatos de diálogo com Washington como falsos e afirma que objetivo é dividir o alto comando político

O ministro de Interior e Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, emitiu um comunicado oficial nesta segunda-feira (19) para refutar alegações sobre supostos diálogos mantidos com representantes dos Estados Unidos. A negativa surge em resposta a informações veiculadas pela imprensa internacional de que ele teria conversado com autoridades norte-americanas meses antes da operação realizada em 3 de janeiro, a qual resultou na captura de Nicolás Maduro em Caracas. A pasta liderada por Cabello classificou as notícias recentes como inverídicas, sustentando que não houve qualquer tratativa prévia com a administração estrangeira sobre a ação militar.

Em nota divulgada à imprensa, o ministério foi enfático ao rejeitar a existência de negociações com o governo de Donald Trump. O texto oficial declara que “o governo nacional desmente de maneira categórica a informação mal intencionada que circula em plataformas digitais. Ela é falsa e alude a supostas conversas secretas de natureza conspirativa”. A manifestação busca conter os rumores que ganharam força após a agência Reuters publicar que fontes diversas confirmaram o contato entre o ministro venezuelano e Washington durante o período que antecedeu a intervenção na capital do país sul-americano.

Relatos sobre contatos com Washington

A controvérsia intensificou-se após a divulgação de que autoridades dos Estados Unidos teriam alertado Cabello contra o uso dos serviços de segurança ou de militantes do partido governista que ele supervisiona para atacar a oposição do país. De acordo com o que foi apurado pela agência de notícias, essa troca de informações teria ocorrido meses antes da captura de Maduro. O ministro, que é uma das figuras mais influentes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e possui forte ascendência sobre as forças policiais e militares, nega que tais advertências ou diálogos tenham ocorrido.

O comunicado do Ministério do Interior argumenta que tais notícias possuem o propósito de fragmentar a liderança chavista neste momento crítico. Segundo a pasta comandada por Cabello, “estas publicações tentam, de forma intencionada, gerar divisão no alto comando político nacional”. O documento acrescenta que, “Além disso, perseguem um objetivo claro de minar o prestígio e a integridade revolucionária” do ministro. A nota oficial repudia o que qualifica como “narrativas falsas” e “reitera seu compromisso com a transparência e a unidade, elementos fundamentais para a estabilidade do país”.

Repercussão entre opositores do regime

O cenário após a captura de Maduro e os ataques norte-americanos levantou preocupações sobre possíveis reações das forças de segurança venezuelanas sob o comando de Cabello. Enquanto o governo busca demonstrar coesão, diversos opositores venezuelanos afirmaram à CNN Brasil estarem vivendo um momento de “alegria silenciosa”. Essas fontes relataram que preferiam não se manifestar publicamente de imediato por medo de sofrerem represálias das forças de segurança, mantendo cautela diante da incerteza política que se instalou na região após os eventos de 3 de janeiro.

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