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Trump convida Putin e Lula para decidir futuro de Gaza em novo conselho

Porta-voz russo diz que proposta está em análise; grupo liderado pelos EUA supervisionará comitê tecnocrático na região

O Kremlin confirmou nesta segunda-feira (19) que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi convidado pelo governo norte-americano para integrar um novo colegiado internacional voltado à gestão temporária da Faixa de Gaza. A iniciativa, denominada “Conselho da Paz”, é liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e visa supervisionar a transição política e administrativa na região após os conflitos recentes. A informação foi repassada à imprensa pelo porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, em declaração à agência de notícias TASS.

Segundo o representante de Moscou, a abordagem ocorreu pelas vias oficiais de diplomacia entre as duas potências. Peskov afirmou: “O presidente Putin recebeu, de fato, uma oferta por meio de canais diplomáticos para participar deste Conselho de Paz”. Apesar da confirmação do convite, a administração russa ainda não formalizou uma resposta definitiva sobre sua adesão ao grupo. O porta-voz ressaltou a necessidade de mais informações antes de uma decisão final: “Atualmente, estamos analisando todos os detalhes dessa proposta. Esperamos entrar em contato com o lado americano para esclarecer todos os detalhes”.

Composição do grupo e convite ao Brasil

Além da tentativa de incluir a Rússia, Donald Trump anunciou no último sábado os nomes que comporão a liderança do organismo. O republicano presidirá o conselho, que contará com figuras como o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, Jared Kushner, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o bilionário Marc Rowan e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga. O governo dos Estados Unidos também estendeu o convite ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Fontes do Itamaraty confirmaram o recebimento da proposta, mas o líder brasileiro ainda não indicou se aceitará fazer parte do colegiado internacional.

O objetivo central do Conselho da Paz é supervisionar um Comitê Nacional para a Administração de Gaza, formado por um corpo tecnocrático palestino. Este comitê será chefiado por Ali Shaath, ex-ministro dos Transportes da Autoridade Palestina, e ficará encarregado das questões cotidianas da região durante o período de transição. O governo do Egito comunicou que houve um “consenso” entre as partes envolvidas sobre os 15 nomes que integrarão essa equipe administrativa. Para a Casa Branca, a estruturação deste conselho representa um “passo essencial” para encerrar as hostilidades, com a meta de “promover paz, estabilidade, reconstrução e prosperidade” no território.

Controle administrativo e desmilitarização

O plano estabelecido prevê que os Estados Unidos mantenham o controle administrativo e militar de Gaza nesta fase. A medida segue o acordo de cessar-fogo aceito por Israel e pelo Hamas no ano anterior, o qual recebeu aprovação do Conselho de Segurança da ONU em novembro. A próxima etapa do processo envolve a desmilitarização do grupo extremista, uma operação complexa que terá o suporte de nações como Egito, Turquia e Catar. A expectativa é que os compromissos firmados, incluindo a devolução de corpos de vítimas de ataques anteriores, sejam cumpridos para garantir a estabilidade do novo arranjo governamental.

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