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Líder supremo do Irã acusa EUA de conspiração após onda de protestos

Aiatolá discursou para apoiadores e afirmou que objetivo americano é submeter o país militar e economicamente

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, atribuiu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a responsabilidade direta pelos falecimentos registrados durante a recente onda de manifestações que atravessa o país. O posicionamento oficial ocorre em um cenário de intensa atuação das forças de segurança para conter os atos, conforme relatam diversas organizações internacionais que monitoram a situação local e denunciam a repressão severa contra os participantes dos protestos.

Durante um discurso realizado perante uma multidão de apoiadores reunidos para uma festividade religiosa, o aiatolá formalizou suas críticas à administração norte-americana. Em sua fala, ele conectou a Casa Branca aos episódios de violência e às perdas humanas, utilizando termos contundentes para descrever o cenário atual e a suposta influência externa na crise interna. “Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana”, afirmou a autoridade máxima do país ao se dirigir ao público presente.

Alegações de interferência externa

Para a liderança iraniana, os eventos recentes não são movimentos espontâneos, mas sim o resultado de uma articulação estrangeira deliberada para desestabilizar o regime vigente. Khamenei argumentou que Washington possui interesses estratégicos específicos na região e busca o controle total sobre a nação persa. “Tudo isto foi uma conspiração americana”, declarou, acrescentando que “o objetivo dos Estados Unidos é devorar o Irã (…) é submeter o Irã militar, política e economicamente”, enfatizou durante sua alocução.

Paralelamente ao discurso oficial, entidades de direitos humanos expressam profunda preocupação com o destino dos detidos nos protestos, que já ocorrem há duas semanas. A organização curda Hengaw emitiu um alerta nesta quarta-feira sobre a situação jurídica dos manifestantes, ressaltando que o bloqueio quase total do acesso à internet imposto pelas autoridades tem dificultado a verificação independente dos fatos e a obtenção de informações precisas sobre cidadãos que possam ter recebido a pena máxima.

Preocupação com sentenças capitais

O cenário jurídico permanece incerto para muitos detidos, havendo receio por parte de observadores internacionais de que existam “muitos outros casos” similares ao de Erfan Soltani. O jovem de 26 anos teve sua condenação confirmada e a aplicação da pena capital agendada para hoje, gerando reações de diversas entidades. O isolamento digital e as medidas de contenção impedem uma contagem exata dos que faleceram ou aguardam o cumprimento de sentenças extremas, mantendo a comunidade global atenta aos desdobramentos da crise em Teerã.

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