A decisão de Mel Lisboa que fez autor da Record detonar a atriz publicamente
Atriz deixou elenco de Pecado Mortal em 2014 para estrelar musical; Carlos Lombardi classificou a atitude como desrespeito e eliminou personagem
Reconhecida por sua interpretação de Rita Lee nos palcos há mais de uma década, Mel Lisboa consolidou sua trajetória no teatro musical com o espetáculo “Rita Lee: uma Autobiografia Musical”, atualmente em turnê pelo Brasil. No entanto, o início dessa jornada artística, marcada pela peça anterior “Rita Lee mora ao lado”, envolveu uma decisão profissional complexa que gerou controvérsia nos bastidores da televisão. Em 2014, para dar vida à rainha do rock pela primeira vez, a atriz optou por deixar o elenco da novela “Pecado Mortal”, da Record TV, o que resultou em um atrito público com o autor da trama, Carlos Lombardi.
Naquele período, Mel Lisboa interpretava a personagem Marcinha no folhetim da emissora paulista. Em janeiro de 2014, a artista solicitou seu desligamento da produção, movimento que inicialmente levantou rumores sobre uma possível negociação com a TV Globo para uma continuação da minissérie “Presença de Anita”. Contudo, a atriz esclareceu que a motivação era exclusivamente teatral, visando focar nos ensaios do musical baseado na obra de Henrique Bartsch. O projeto teatral já existia antes mesmo de seu contrato com a Record, mas havia permanecido estagnado devido à ausência de patrocinadores, cenário que mudou repentinamente durante as gravações da novela.
Conflito de agendas e produção
A confirmação do apoio financeiro para o espetáculo criou um impasse logístico para a atriz, que residia no Rio de Janeiro por conta das filmagens, enquanto a produção teatral ocorreria em São Paulo. Segundo Mel, a tentativa de conciliar ambos os compromissos se mostrou inviável diante da carga de trabalho exigida. “Inesperadamente, o patrocínio da peça saiu e eu me vi numa sinuca de bico: a estreia seria dia 31 de março em SP, com ensaios em SP e eu estava gravando no Rio. Ainda tentei conciliar as duas coisas, mas quando, no dia 13/01, começaram os ensaios, percebi que a demanda seria enorme e o desgaste insuportável. Foi muito difícil, pensei muito, mas fiz uma escolha e levei para a direção da Record”, justificou a artista sobre o ocorrido.
A saída antecipada não foi bem recebida por Carlos Lombardi, autor de “Pecado Mortal”. Em entrevista concedida ao site Notícias da TV na época, o escritor expressou seu descontentamento e classificou a atitude como inédita em sua carreira profissional. Lombardi argumentou que o contrato de outros atores previa datas específicas, o que não se aplicava ao caso de uma saída abrupta para o teatro. “Recebi a notícia na semana passada e fui pego de surpresa. Achei isso um desrespeito. Comecei a novela com duas atrizes, Paloma Duarte e Bianca Byngton, que tinham por contrato dias específicos de gravação. Mas [deixar a novela] para fazer uma peça nunca vi. Fiquei perplexo”, declarou o autor.
Desfecho da personagem e repercussão
Diante da ausência da atriz, o dramaturgo precisou alterar os rumos da história e tirou a vida da personagem Marcinha no capítulo 100, uma solução narrativa que impactou outros núcleos da trama. Lombardi criticou a necessidade de realizar tal manobra no roteiro. “Foi uma decisão equivocada. É a primeira vez que tenho que matar uma personagem porque a atriz vai fazer uma peça de teatro. É uma questão de ética”, afirmou. Posteriormente, em uma carta aberta, Mel Lisboa afirmou que “entendia perfeitamente a indignação de Lombardi”. Apesar do conflito, a aposta na carreira teatral rendeu frutos, com a atriz conquistando o Prêmio Shell de Melhor Atriz e realizando temporadas com ingressos esgotados.



