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Saiba os detalhes do encontro inédito entre o chefe da CIA e a presidente da Venezuela

John Ratcliffe esteve em Caracas para dialogar com Delcy Rodríguez sobre relações bilaterais e combate a grupos hostis aos EUA

O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, realizou uma viagem oficial a Caracas na última quinta-feira para um encontro presencial com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Esta reunião marca a visita de nível mais elevado de um representante do governo dos Estados Unidos ao país sul-americano desde a mudança de cenário político que resultou na saída de Nicolás Maduro do poder. A operação diplomática foi articulada em conjunto pela Casa Branca, pelo Departamento de Estado e pelo Pentágono, sinalizando uma nova fase nas tratativas entre as duas nações e buscando estabelecer canais de comunicação permanentes.

De acordo com informações fornecidas por fontes norte-americanas, a conversa teve duração aproximada de duas horas e ocorreu sob diretrizes diretas do presidente Donald Trump. O objetivo central do deslocamento foi iniciar um processo de aproximação diplomática. Um funcionário relatou à AFP que, “por instruções de Trump, o diretor Ratcliffe viajou à Venezuela para se reunir com a presidente interina Delcy Rodríguez e transmitir a mensagem de que os Estados Unidos buscam melhorar as relações de trabalho”.

Pautas sobre segurança e economia

Durante o diálogo, as autoridades abordaram perspectivas de cooperação financeira e questões de segurança nacional. O foco principal recaiu sobre a necessidade de impedir que o território venezuelano sirva de refúgio para opositores dos interesses norte-americanos. Segundo a fonte ouvida, Ratcliffe e Rodríguez “conversaram sobre as possíveis oportunidades de colaboração econômica, assim como sobre o ponto de que a Venezuela não pode continuar sendo um santuário para os adversários dos Estados Unidos, especialmente os narcotraficantes”. A iniciativa visa construir uma base de confiança mútua entre Washington e Caracas.

A agenda diplomática intensa ocorreu apenas um dia após a primeira conversa telefônica oficial entre Donald Trump e Delcy Rodríguez. Paralelamente aos eventos em Caracas, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi recebida na Casa Branca pelo mandatário republicano. Na ocasião, Machado entregou a Trump a medalha do Prêmio Nobel da Paz, honraria que recebeu no ano de 2025, reforçando o alinhamento político entre as lideranças conservadoras e a nova configuração de poder na Venezuela.

Contexto da transição de poder

O cenário político atual se desenhou após uma operação realizada pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos encontram-se detidos em Nova York, onde respondem a processos judiciais relacionados ao comércio ilegal de substâncias ilícitas. Após o episódio, Rodríguez, que ocupava a vice-presidência, assumiu o comando interino do Executivo. Donald Trump declarou publicamente estar à frente das decisões sobre a Venezuela e sua indústria de petróleo.

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