Economia & Negócios

Mercado Bitcoin compra licença de corretora do Banco Mercantil e amplia operações

Aquisição da CCTVM visa fortalecer ecossistema de ativos digitais regulados; clientes de ações do Mercantil deverão migrar para outras plataformas

O Mercado Bitcoin (MB) comunicou nesta sexta-feira (16) a compra da licença de Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários (CCTVM) pertencente ao Banco Mercantil. A iniciativa faz parte do plano da empresa para fortalecer sua presença no setor regulado de ativos digitais e expandir suas capacidades operacionais. Essa movimentação ocorre em um cenário de avanço nas normas locais, especificamente após o Banco Central editar resoluções recentes, como as de número 519 e 520, que estabelecem diretrizes sobre o funcionamento, licenciamento e operação de prestadoras de serviços de ativos virtuais no país.

A transação estratégica busca alinhar as operações da companhia às novas diretrizes regulatórias publicadas em novembro do ano passado. O objetivo central é consolidar um ecossistema financeiro digital mais robusto, integrando a nova licença às demais empresas do grupo, que já conta com instituição de pagamento, plataforma de investimento participativo e administradora de valores mobiliários. Paralelamente ao negócio, o Banco Mercantil informou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou a oferta pública para aquisição de ações da controlada Mercantil Financeira para o fechamento de capital da subsidiária.

Integração entre mercados

Sobre a importância do negócio para a trajetória da empresa e o alinhamento com o setor financeiro, Roberto Dagnoni, Chairman do MB, destacou a conexão entre diferentes esferas. “Essa aquisição representa mais um passo na construção de um ecossistema completo de investimentos, com novas possibilidades para nossos clientes, trazendo mais um marco para nossa trajetória e reforçando a integração entre o mercado tradicional e a economia digital”, afirmou. O executivo ressaltou ainda a posição da companhia no cenário internacional: “A integração de uma CCTVM operacional à nossa operação com 13 anos de atuação, já consolidada entre as 20 maiores corretoras de cripto do mundo, segundo a Kaiko, e entre as cinco maiores globais em ativos tokenizados, de acordo com a rwa.xyz, reforça nosso pioneirismo no mercado”.

Apesar da aquisição da licença que tecnicamente permitiria atuar no mercado de ações, o Mercado Bitcoin esclareceu que não exercerá a função de corretora de valores tradicional na bolsa de valores. A oferta de intermediação na B3, abrangendo custódia e negociação de papéis, será descontinuada na unidade adquirida assim que o processo for concluído. A estratégia da empresa foca exclusivamente no aproveitamento da estrutura regulatória para potencializar os serviços voltados à criptoeconomia e ativos tokenizados, sem competir no segmento de varejo de ações tradicional.

Migração de clientes

Em decorrência dessa decisão operacional de não atuar como corretora de ações, haverá mudanças práticas para os investidores que utilizavam a estrutura do Banco Mercantil para operar na bolsa. Os atuais clientes da instituição serão devidamente notificados sobre os procedimentos necessários e deverão transferir suas posições de custódia para outras corretoras habilitadas no mercado. A medida encerra a atuação da corretora adquirida no segmento de renda variável tradicional, redirecionando o foco total da licença para os produtos e serviços digitais geridos pelo ecossistema do MB.

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