Economia & Negócios

PF apreende celular de Nelson Tanure em investigação do Banco Master

Empresário teve celular apreendido no Rio de Janeiro durante segunda fase da Operação Compliance Zero

Nelson Tanure, investidor conhecido por atuar em empresas em reestruturação, tornou-se alvo da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira. A ação integra a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostos desvios bilionários envolvendo o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro. O empresário foi abordado por agentes no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, enquanto tentava embarcar em um voo doméstico após um período de férias iniciado no Natal. Durante a abordagem, seu telefone celular foi apreendido pelas autoridades para perícia.

As investigações apuram se Tanure teria atuado como sócio oculto de Daniel Vorcaro, controlador do banco, e se teria sido beneficiário de recursos desviados da instituição financeira. O Banco Central identificou indícios de que valores subtraídos do Banco Master circularam por fundos ligados à gestora Reag e teriam como destino empresas de fachada associadas ao investidor. A operação policial incluiu medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que somam mais de R$ 5,7 bilhões, visando desarticular uma suposta engrenagem financeira complexa utilizada para gestão fraudulenta e lavagem de capitais.

Defesa nega irregularidades societárias

Em resposta às diligências, a defesa de Nelson Tanure afirmou que ele não possui vínculo societário com o Banco Master, sendo apenas cliente da instituição. Por meio de nota, os advogados declararam que “o empresário, que tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários, jamais enfrentou qualquer processo criminal em razão de suposta prática delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista”. A defesa ressaltou ainda que a única medida imposta foi a apreensão do aparelho celular e manifestou confiança de que “restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita oriunda dessa relação”.

O inquérito aponta para o uso de estruturas financeiras sofisticadas. O Banco Central mapeou 36 empresas que teriam contraído empréstimos fictícios junto ao Master, possibilitando desvios estimados em R$ 11,5 bilhões através de fundos da Reag Investimentos. Há suspeitas de que Tanure também tenha utilizado essa engrenagem, tendo supostamente aportado cerca de R$ 2,5 bilhões no banco desde 2020 por meio de fundos offshore. A defesa de Daniel Vorcaro negou envolvimento com “supostas fraudes, fundos ilícitos ou operações mencionadas na reportagem”, alegando que ele “nunca foi gestor, administrador ou cotista dos fundos citados”.

Histórico de apurações no mercado

A relação entre o investidor e a instituição financeira já havia despertado a atenção das autoridades anteriormente. Em 2024, a Polícia Federal instaurou inquérito para verificar se Tanure seria o controlador de fato do banco, após denúncias realizadas pela gestora Esh Capital. Na ocasião, o Ministério Público Federal indicou a existência de indícios sobre o uso de fundos e empresas interpostas para ocultar a participação acionária do empresário. A atual fase da operação busca esclarecer definitivamente a natureza dessas transações e a extensão do envolvimento dos investigados no esquema de manipulação de mercado e desvio de recursos.

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