Trump culpa Zelensky por demora na paz e diz que Putin quer acordo
Presidente dos EUA declara à Reuters que líder ucraniano dificulta fim do conflito, enquanto Moscou estaria pronta para negociar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, demonstra maior disposição para encerrar a guerra na Ucrânia do que o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky. A afirmação foi feita durante uma entrevista exclusiva concedida à agência Reuters no Salão Oval. Segundo a avaliação do republicano, o atraso na concretização de um entendimento diplomático não estaria atrelado à postura de Moscou, mas sim aos obstáculos impostos por Kiev nas tratativas atuais para solucionar o conflito no leste europeu.
Ao analisar o cenário das negociações, Trump foi enfático sobre a posição do chefe de Estado russo em relação ao fim das hostilidades. “Acho que ele está pronto para fazer um acordo”, afirmou o presidente norte-americano. Em contrapartida, ao se referir à outra parte do conflito, ele pontuou que “a Ucrânia está menos pronta para fechar um acordo”. Quando questionado diretamente sobre a razão pela qual as conversas lideradas pelos Estados Unidos ainda não resultaram no encerramento do maior confronto terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, Trump respondeu de forma sucinta: “Zelensky”.
Divergências diplomáticas e pressão territorial
Essa leitura apresentada por Washington contrasta com a visão predominante entre os aliados europeus, que sustentam que a Rússia não possui interesse genuíno em cessar o conflito, mantendo objetivos territoriais amplos apesar das rodadas diplomáticas. Nos últimos meses, os negociadores norte-americanos têm concentrado esforços em estabelecer garantias de segurança para a Ucrânia no período pós-guerra, visando impedir novas invasões. Como parte desse entendimento com Moscou, houve pressão para que Kiev abrisse mão da região oriental do Donbass, uma concessão que tem gerado debates intensos entre os parceiros ocidentais e resistência por parte do governo ucraniano.
As tratativas recentes contam com a participação de autoridades ucranianas e são conduzidas pelos enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump. A relação entre os líderes dos dois países permanece instável, mesmo após um encontro na Flórida no final de dezembro, onde ambos chegaram a afirmar que as negociações estavam 95% concluídas. Contudo, após essa reunião, Zelensky declarou que a Rússia “mente” para sabotar o processo. Trump, por sua vez, sugeriu recentemente que o ucraniano estaria “tendo dificuldade” para avançar nas conversas, sem detalhar os motivos específicos dessa avaliação.
Impasses constitucionais e agenda futura
O principal ponto de travamento reside na recusa pública de Volodymyr Zelensky em aceitar qualquer perda territorial para a Rússia. O presidente ucraniano argumenta que a Constituição do país proíbe a cessão de terras e que o governo não possui autoridade legal para entregar partes do território nacional. Quanto aos próximos passos diplomáticos, Trump mencionou a possibilidade de encontrar Zelensky durante o World Economic Forum, na Suíça, caso ambos compareçam ao evento, embora não existam planos definidos. O presidente dos EUA também negou ter conhecimento sobre uma suposta viagem de seus enviados a Moscou mencionada pela imprensa.


