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Após pressão global, X muda regras do Grok sobre imagens de pessoas reais

Medida visa impedir edições indevidas e nudez via inteligência artificial; Elon Musk negou conhecimento sobre geração de conteúdo ilícito

A plataforma X comunicou nesta quarta-feira a implementação de novos bloqueios em sua ferramenta de inteligência artificial, o Grok. As medidas visam impedir a remoção digital de roupas de pessoas reais e a geração de imagens com teor sexualizado. A decisão surge como resposta a uma série de denúncias sobre manipulações realizadas sem consentimento e à crescente pressão de autoridades internacionais, que questionaram a falta de moderação da rede social sobre o material sintético produzido e abriram investigações para apurar possível negligência da empresa.

De acordo com a conta X Safety, as restrições aplicam-se a todos os usuários e abrangem não apenas a nudez completa, mas também a edição de indivíduos com trajes considerados reveladores, como biquínis. A empresa informou que a criação e edição de imagens via Grok ficarão restritas a assinantes pagos para facilitar a responsabilização em casos de uso indevido, além de instituir bloqueios por geolocalização onde a prática for ilegal. A nota oficial destaca: “Nossa equipe de Segurança está trabalhando ininterruptamente para adicionar medidas de proteção adicionais, tomar medidas rápidas e decisivas para remover conteúdo ilegal e que viole as regras, suspender permanentemente contas quando apropriado e colaborar com governos locais e autoridades policiais, conforme necessário.”

Posicionamento de Elon Musk e negação

O anúncio das novas diretrizes ocorreu poucas horas após Elon Musk, proprietário do X, afirmar desconhecer a existência de registros explícitos envolvendo menores gerados pela ferramenta. Em sua conta pessoal, o empresário declarou: “I not aware of any naked underage images generated by Grok. Literally zero.” Musk argumentou que a IA não cria imagens espontaneamente, apenas responde a comandos, e recusaria solicitações ilegais. Apesar da negativa do executivo e de suas críticas ao primeiro-ministro britânico Keir Starmer, a própria empresa agiu tecnicamente para conter as críticas e mitigar os riscos associados à tecnologia.

A controvérsia motivou ações regulatórias no Reino Unido, onde a Ofcom instaurou uma investigação formal para verificar se a plataforma cumpriu obrigações de segurança online. O primeiro-ministro britânico chegou a sugerir que a ferramenta poderia perder o direito de autorregulação, mas posteriormente indicou que representantes do X sinalizaram cooperação com as leis locais para bloquear a geração de imagens inapropriadas. A agência reguladora britânica classificou os relatos envolvendo o uso da inteligência artificial da plataforma como profundamente preocupantes, exigindo adequação às normas de proteção digital.

Denúncias e repercussão no Brasil

No cenário brasileiro, a deputada federal Erika Hilton acionou o Ministério Público Federal e a Agência Nacional de Proteção de Dados. A parlamentar apontou que as funções questionadas haviam sido monetizadas pela plataforma e solicitou a desabilitação do recurso no país devido aos riscos à imagem de cidadãos. Em publicação sobre o caso, ela afirmou: “Estou denunciando, novamente, a inteligência artificial “Grok” e o X ao Ministério Público Federal e à Agência Nacional de Proteção de Dados.” As novas regras buscam alinhar a rede social às exigências legais globais e conter a disseminação de material manipulado sem autorização.

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