Saúde & Bem-estar

Combinação de exercícios e alimentação saudável pode estender vida em até nove anos

Pesquisa sugere que ajustes simultâneos na rotina, como atividades físicas e nutrição, elevam a expectativa de vida e o tempo de saúde

Uma nova pesquisa publicada na revista eClinicalMedicine indica que a implementação de pequenas alterações na rotina diária, envolvendo dieta, sono e exercícios físicos, pode resultar em um aumento de um ano na expectativa de vida. Quando essas modificações no estilo de vida se tornam mais significativas e são praticadas em conjunto, o estudo sugere que é possível adicionar mais de nove anos à longevidade. Além do tempo total de vida, a combinação desses fatores também demonstrou elevar a quantidade de anos vividos sem queixas graves de saúde, proporcionando um envelhecimento com maior qualidade e menos limitações físicas.

A abordagem central do levantamento foca na integração de múltiplos hábitos saudáveis, em vez de analisá-los separadamente. Nick Koemel, pesquisador da Universidade de Sydney e autor principal do trabalho, explica que realizar melhorias simultâneas em diversas áreas pode facilitar a adesão a longo prazo, pois reduz a exigência de mudanças drásticas em um único comportamento. Segundo o especialista, “Essas descobertas destacam a importância de considerar os comportamentos do estilo de vida como um conjunto, em vez de isoladamente”, reforçando a necessidade de uma visão holística sobre a saúde preventiva.

Projeções de longevidade e limitações do estudo

Por meio de modelagem científica, os pesquisadores identificaram que indivíduos com hábitos precários poderiam ganhar um ano de vida ao adicionar apenas cinco minutos de sono, dois minutos de atividade física e meia xícara de vegetais por dia. Já o ganho máximo projetado, de cerca de nove anos, exigiria entre 42 e 103 minutos de exercícios diários, sono regular de sete a oito horas e uma dieta rica em nutrientes. No entanto, os cientistas alertam que os resultados não confirmam uma relação de causa e efeito direta. Koemel ressalta que “Todos os ganhos relatados neste estudo são teóricos”, enquanto outros estatísticos apontam a complexidade dos métodos utilizados na análise.

Entre os fatores analisados, a prática de exercícios físicos destacou-se como o elemento de maior impacto para a longevidade. O cardiologista preventivo Andrew Freeman, do National Jewish Health, enfatiza que a atividade física deve ser consistente e intensa, recomendando cerca de 30 minutos diários de esforço que combine força e cardio. Para o médico, “O exercício é o elixir da juventude”, mas ele adverte que as pessoas não devem interpretar o estudo como uma permissão para se exercitar por apenas dois minutos e parar, pois o objetivo real deve ser a manutenção de um corpo ativo e funcional.

Metodologia aplicada e foco na qualidade de vida

O estudo acompanhou quase 60 mil participantes do UK Biobank, no Reino Unido, por uma média de oito anos, utilizando dados médicos e, em alguns casos, dispositivos de monitoramento de pulso. As informações coletadas permitiram criar cenários teóricos sobre como a melhoria nos hábitos impacta a prevenção de condições como doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Freeman conclui que o foco não deve estar apenas nos números exatos, mas no bem-estar geral: “A mensagem principal em meio a tantas informações é que, se você viver bem, sua qualidade de vida e, consequentemente, sua longevidade serão maiores”.

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