Apagão no Irã: governo desliga internet e bloqueia até a Starlink
Bloqueio afeta 85 milhões de pessoas e impede funcionamento de serviços básicos e redes sociais em meio a crise política e repressão
O Irã enfrenta um apagão digital sem precedentes desde o dia 8 de janeiro, reduzindo a conectividade do país a apenas 1% do padrão habitual. A medida extrema isola cerca de 85 milhões de habitantes e cria uma barreira de silêncio sobre a repressão às manifestações que ocorrem no território. Devido à falta de acesso à rede, o mundo exterior recebe apenas fragmentos de informações, o que dificulta a confirmação da extensão real da crise humanitária. Estimativas indicam que a ação policial já pode ter tirado a vida de mais de 500 pessoas e resultado na prisão de outras dez mil cidadãos durante os confrontos.
O regime iraniano sofisticou suas táticas de censura ao adotar o uso de *jammers*, dispositivos que geram interferência na mesma frequência de satélites e antenas para embaralhar o sinal. O alvo principal dessa estratégia é a rede Starlink, que em crises anteriores serviu como rota para ativistas enviarem vídeos e denúncias ao exterior. O bloqueio físico foi consolidado com a instalação de antenas de alta potência próximas aos receptores, impedindo até mesmo conexões que não dependem da infraestrutura terrestre tradicional e dificultando qualquer tentativa de comunicação externa.
Falha na rede nacional e ineficácia de vpns
Diferente de apagões passados, desta vez nem mesmo a Rede Nacional de Informação, uma espécie de intranet doméstica, escapou da interrupção. Especialistas explicam que o Irã costumava manter serviços internos operando enquanto cortava o tráfego internacional, mas agora o isolamento é total. Até mesmo as VPNs, ferramentas usadas para camuflar a conexão e contornar bloqueios, tornaram-se inúteis com o desligamento completo dos servidores. Em Teerã, bairros conhecidos por concentrarem manifestantes, como Narmak e o Grande Bazar, foram os primeiros a sofrer as restrições mais severas, com o monitoramento permitindo ajustes no bloqueio conforme a oscilação dos protestos.
A União Internacional de Telecomunicações (UIT) solicitou formalmente que o país interrompa a interferência em sistemas de satélite. No entanto, o regime justifica as ações sob o argumento de que agentes estrangeiros e “terroristas” estariam usando a rede para incitar a violência. O controle rígido sobre o fluxo de dados visa impedir a organização de novos atos e ocultar o cenário de conflito nas ruas, mantendo a narrativa oficial sem contrapontos imediatos vindos da população civil ou da imprensa independente que tenta cobrir os acontecimentos.
Impacto nos serviços bancários e economia
As consequências do apagão vão muito além do silenciamento político, paralisando serviços básicos e a vida financeira do país. Caixas eletrônicos pararam de funcionar e transações comerciais foram interrompidas, agravando a situação econômica da população já fragilizada. O isolamento digital transforma a nação em uma zona inacessível, onde a falta de comunicação impede o funcionamento da sociedade moderna e oculta a gravidade dos acontecimentos, deixando milhões de cidadãos sem meios de pedir auxílio ou relatar os abusos cometidos durante este período de exceção.



