Economia & Negócios

Haddad comenta liquidação do Banco Master e cita possível fraude histórica

Ministro elogia atuação do Banco Central e destaca impacto nos cofres públicos via Fundo Garantidor de Crédito; TCU fará inspeção.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestou-se em 13 de janeiro de 2026 sobre o processo de liquidação extrajudicial do Banco Master. Durante entrevista concedida na entrada do ministério, ele avaliou a gravidade da situação envolvendo a instituição financeira e a gestora Reag. Segundo o ministro, o aprofundamento das apurações poderá trazer à tona um esquema de proporções inéditas no sistema financeiro nacional, chegando a afirmar que o cenário pode configurar a “maior fraude bancária da história”.

A pasta da Fazenda atua em cooperação com o Banco Central e o Tribunal de Contas da União para elucidar os vínculos entre o banco liquidado e a gestora de recursos. Há suspeitas de que operações tenham simulado movimentações financeiras utilizando ativos de baixa qualidade. Haddad enfatizou a necessidade de cautela e firmeza, declarando: “Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país e temos que tomar todas as cautelas devidas, com as formalidades, garantindo todo o espaço para a defesa se explicar, mas, ao mesmo tempo, sendo bastante firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público”.

Atuação técnica do Banco Central

Em relação à condução do processo pela autoridade monetária, o ministro classificou o trabalho desempenhado pela equipe e pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, como adequado e transparente. Ele demonstrou confiança de que as medidas tomadas permitirão a responsabilização dos envolvidos e a busca pelo ressarcimento dos danos. Sobre a qualidade técnica da intervenção e liquidação, Haddad pontuou: “Eu acredito realmente que o trabalho feito pelo Banco Central é tecnicamente muito robusto”.

Outro ponto abordado foi o impacto financeiro nos cofres públicos, visto que o Fundo Garantidor de Crédito, responsável por reembolsar investidores, recebe aportes de instituições estatais. O ministro explicou que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal possuem participação relevante na composição desse fundo, o que torna o caso uma questão de interesse coletivo. Nas palavras de Haddad: “O FGC, que todo mundo considera um fundo privado, é capitalizado também por dois bancos públicos. O Banco do Brasil e a Caixa respondem por um terço da capitalização”.

Acordo para inspeção do TCU

O desdobramento mais recente envolveu um consenso entre as lideranças do Banco Central e do Tribunal de Contas da União. A autarquia monetária retirou um recurso que impedia a inspeção do TCU na instituição financeira, após reunião entre Gabriel Galípolo, o presidente da Corte, Vital do Rêgo, e o relator Jhonatan de Jesus. Ficou estabelecido que a auditoria prosseguirá, porém com restrições ao acesso de dados protegidos por sigilo bancário para preservar a legalidade do processo. Haddad reforçou a importância do tema: “[A liquidação do Master] é um assunto de interesse público por várias razões, mas também porque envolve recursos de bancos públicos”.

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