Política

Áudios vazados revelam suposta propina do PCC para delegacias em São Paulo

Operação Janus do Ministério Público intercepta conversas sobre pagamentos de até R$ 300 mil para agentes do Deic

O Ministério Público de São Paulo interceptou comunicações que apontam um suposto esquema de propina do PCC direcionado à Polícia Civil paulista. As informações constam na Operação Janus, deflagrada para desarticular uma rede acusada de operar um “banco paralelo” da facção. Os registros indicam que quatro repartições, incluindo o 13º DP, o 39º DP, uma Seccional da zona norte e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), estariam na lista de pagamentos.

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As investigações detalham diálogos entre apontados como operadores financeiros, como Bruno Ramos Fernandes e Robson Martins de Souza. Nos textos, os suspeitos debatem a necessidade de separar dinheiro em espécie para os agentes. Para despistar, a quadrilha utilizava códigos que ocultavam o último zero das cifras, registrando repasses que equivaleriam a R$ 7,5 mil e R$ 15 mil. Em outra troca de mensagens, Cléber Azevedo dos Santos teria ordenado a separação de R$ 50 mil para “pagar a polícia”.

Investigação sobre propina do PCC cita áudios envolvendo o Deic

O Deic ganha destaque nos levantamentos devido a gravações de voz e planilhas. Em um dos áudios, Cléber solicita a liberação de R$ 100 mil para um acerto financeiro, afirmando: “Precisa pagar os polícia do Deic.” Outra mensagem menciona uma cobrança de R$ 300 mil supostamente exigida por agentes do setor de crimes cibernéticos. Os promotores encontraram registros classificados como “despesas do Deic” e uma conversa onde um doleiro compara o departamento a um “banco” de depósitos.

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Este cenário amplia as descobertas de uma denúncia formalizada em abril pelo Gaeco. Na ocasião, 23 indivíduos foram acusados de integrar uma estrutura de corrupção na Polícia Civil para blindar atividades ilícitas. A acusação apontou que os pagamentos ocorriam desde agosto de 2020, envolvendo a retirada de documentos e a substituição de aparelhos apreendidos para travar inquéritos. O órgão solicitou o bloqueio de até R$ 5 milhões dos agentes denunciados para garantir ressarcimento.

Operação Janus mapeia contatos da facção com oficiais em São Paulo

Além dos policiais civis, os relatórios mapearam a rede de contatos dos operadores com oficiais de alta patente da Polícia Militar. Três coronéis aparecem nos documentos por meio de anotações, diálogos e participação em aplicativos de mensagens. Um dos oficiais faria parte de um grupo virtual denominado “Aniversário general” e teria oferecido intermediação com autoridades. Os membros da PM citados não são alvos diretos das buscas e não foram denunciados formalmente.

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