Carta aberta expõe crise e exige novas políticas de prevenção na França com urgência
Profissionais e associações alertam para a desmobilização do governo e pedem mais recursos para a saúde mental no país europeu
Profissionais de saúde e pesquisadores publicaram uma carta aberta ao governo francês exigindo maior mobilização estatal. O documento cobra o fortalecimento das políticas de prevenção na França voltadas para pessoas que tentam tirar a própria vida. A manifestação ocorre porque os índices do país figuram entre os mais elevados da Europa, com cerca de nove mil ocorrências anuais, motivando a urgência do apelo.
Os signatários destacam que uma pessoa tira a própria vida a cada hora no território francês, sendo a segunda maior causa de óbito entre jovens de 15 a 25 anos. O grupo argumenta que “o Estado não está presente na prevenção”, ressaltando que “os sinais são mais do que preocupantes”. Apesar de iniciativas como um número telefônico gratuito, os especialistas alertam para uma “desmobilização do governo” no setor.
Crise na saúde mental e políticas de prevenção na França
A agência Santé publique France confirma os altos índices. Segundo os autores, as ações específicas tendem a se “diluir em uma abordagem global de saúde mental”, enfraquecendo estratégias coordenadas. As associações da área relataram redução em seus recursos financeiros nos últimos dois anos, gerando temores sobre o “desmonte dos instrumentos de prevenção” que já funcionavam.
A carta adverte sobre as consequências das restrições, afirmando que “Reduzir os meios de prevenção hoje é correr o risco de pagar o preço social, humano e econômico”. Os profissionais preveem que a falta de verbas sobrecarregará os serviços de emergência e a psiquiatria. O grupo exige a manutenção dos financiamentos e propõe uma “discussão real e estruturada” para formular novas diretrizes.
Apoio do Estado e dados da Organização Mundial da Saúde
A Organização Mundial da Saúde aponta que mais de 700 mil indivíduos tiram a própria vida anualmente no planeta. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida atua no suporte emocional pelo número 188. No cenário europeu, os especialistas concluem que a área necessita “mas sim de apoio do Estado e de recursos compatíveis com a dimensão do problema”, exigindo que a pauta seja “uma prioridade real, duradoura e plenamente sustentada”.



