Mais de 450 pessoas falecem na República Democrática do Congo por surto de Ebola
Variante Bundibugyo avança em meio a conflitos armados e desinformação, dificultando o rastreamento de pacientes pela Organização Mundial da Saúde
O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) avança e soma 1.460 diagnósticos neste ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O epicentro permanece no território congolês, mas o vírus alcançou outras nações, com 20 registros em Uganda e um paciente na França. Autoridades apontam que todas as infecções fora do país africano possuem vínculo com a epidemia original. A agência alerta para a subnotificação dos números, consequência das crises humanitárias na região.
A emergência já resultou no fato de que mais de 450 indivíduos faleceram pela infecção no atual período. O trabalho médico esbarra na insegurança gerada por cerca de 120 milícias no país, conforme o Centro Global para a Responsabilidade de Proteger. A presença de grupos armados impede o rastreamento de contatos dos infectados. A OMS também relatou ataques a instalações de saúde, forçando a interrupção de atendimentos em zonas de risco.
Falta de vacina para variante Bundibugyo do Ebola na África
A complexidade do cenário é agravada pela cepa em circulação, a espécie Bundibugyo. Diferente de epidemias anteriores da variante Zaire, o micro-organismo atual não possui vacina ou terapia aprovada. Para tentar elevar a sobrevivência, a ONU recruta voluntários na RDC para testar medicamentos pré-existentes. Uma das alternativas em análise é o antiviral Remdesivir, fármaco utilizado durante a crise da Covid-19.
A propagação de notícias falsas é um obstáculo adicional para as autoridades. Um estudo da Fundação Konrad Adenauer, feito por Christopher Nehring, indica que parte da população duvida da infecção. “Eles não acreditam que o vírus exista. Continuam frequentando hospitais e locais onde há pessoas doentes e acabam contribuindo para a disseminação da doença”, detalhou o pesquisador. Rumores passados chegaram a classificar imunizantes como ameaças.
Crise humanitária agrava surto de Ebola na República Democrática do Congo
A contenção do patógeno exige intervenções que ultrapassam a esfera clínica. O diretor do Centro Johns Hopkins para Saúde Humanitária, Paul B. Spiegel, avalia que o sucesso do controle depende de condições básicas de subsistência. A eficácia das medidas está condicionada ao fornecimento de segurança, alimentação, água potável e transporte. Sem a estabilização desses fatores sociais, as ações epidemiológicas perdem a capacidade de interromper a transmissão.



