Saúde & Bem-estar

Cirurgia de 40 horas nos Emirados Árabes separa gêmeas siamesas unidas pelo crânio

Procedimento complexo utilizou tecnologia 3D para garantir a recuperação das irmãs nigerianas Mercy e Goodness

As gêmeas siamesas nigerianas Mercy e Goodness, que nasceram unidas pelo crânio em direções opostas, foram separadas com sucesso após um procedimento médico realizado nos Emirados Árabes Unidos. A intervenção cirúrgica teve uma duração aproximada de 40 horas e contou com a atuação direta de 12 profissionais de saúde vinculados ao Great Ormond Street Hospital, instituição sediada no Reino Unido.

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No momento da operação, as pacientes estavam com um ano e sete meses de idade. Para viabilizar a separação craniana, a equipe médica recorreu a recursos avançados, incluindo inteligência artificial, realidade aumentada e modelos em três dimensões desenvolvidos em laboratórios britânicos. Além disso, expansores de pele feitos de silicone foram implantados previamente nas cabeças das crianças para estimular o crescimento do tecido. O processo foi acompanhado remotamente por mais de 50 especialistas de diferentes partes do mundo.

Uso de tecnologia na cirurgia das gêmeas siamesas Mercy e Goodness

A estatística de sobrevivência para casos de crianças unidas fisicamente é historicamente baixa. Dados médicos indicam que cerca de 40% dos bebês com essa condição já nascem sem vida, enquanto um terço falece durante as primeiras 24 horas após o parto. A proporção de pacientes que resistem o tempo necessário para passar por uma intervenção de separação é de apenas um a cada dez milhões. As irmãs nigerianas conseguiram chegar à fase cirúrgica após serem acolhidas pela organização de caridade Gemini Untwined aos seis meses de idade.

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O professor Noor ul Owase Jeelani, médico responsável por fundar a instituição filantrópica e atuar no hospital britânico, explicou ao jornal The Sun como o planejamento tecnológico foi aplicado. “Com base na experiência dos nossos oito casos anteriores, e utilizando técnicas e estratégias inovadoras, conseguimos dar a estas meninas e às suas famílias um novo futuro, onde podem desfrutar da infância como gémeas intactas, mas separadas”, declarou o especialista. Após a conclusão do tratamento, as pacientes retornaram ao seu país de origem e apresentam recuperação completa.

Recuperação das irmãs nigerianas e colaboração médica global

O planejamento e a execução da intervenção exigiram a integração de conhecimentos de especialistas localizados em diferentes regiões do planeta. Jeelani ressaltou que a troca de informações entre profissionais de saúde foi um fator determinante para o resultado positivo alcançado no tratamento das crianças. “Este caso envolveu uma equipe dividida em três continentes, ajudando crianças de um quarto continente… é um belo exemplo de como podemos alcançar resultados que transformam vidas por meio da colaboração global e do compartilhamento”, concluiu o médico.

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