Paul McCartney afirma guardar memórias do dia em que nasceu na Inglaterra
O ex-Beatle descreveu imagens e sons do parto, enquanto especialistas explicam o fenômeno das memórias fictícias na infância.
O músico britânico Paul McCartney compartilhou uma experiência pessoal relacionada aos seus primeiros momentos de vida. Em entrevista ao jornal The Guardian, o ex-Beatle relatou que acredita possuir recordações do dia em que veio ao mundo, em 18 de junho de 1942, em Liverpool. Ao ser questionado sobre os ruídos mais antigos em sua mente, o artista mencionou elementos visuais e sonoros associados ao parto.
Apesar do relato, o cantor reconhece a improbabilidade da situação. “Ok, agora entramos em uma zona nebulosa, porque tenho a sensação de que consigo me lembrar de ter nascido”, declarou. Ele detalhou os elementos dessa imagem mental, pontuando: “Altamente duvidoso, altamente duvidoso, mas sinto os azulejos brancos, os instrumentos cirúrgicos e os sons”. O músico ponderou que a sensação o acompanha há anos.
Paul McCartney cita parto com fórceps e memória imaginada
O artista admitiu a possibilidade de que as imagens sejam apenas construções do cérebro. “Provavelmente é uma grande besteira. Na verdade, quase certamente é. Uma memória imaginada!”, afirmou. Durante a conversa, ele mencionou o método utilizado pelos médicos no seu nascimento. “Nasci com fórceps. Não entendo exatamente o que é isso. Acho que tiveram que me puxar com uma espécie de pinça”, relatou o músico.
Para analisar o relato do ex-integrante dos Beatles, foi consultado o psicólogo Martin Conway, da City University of London. O especialista classifica o fenômeno como memórias fictícias. Ele explicou como as imagens se formam na mente: “Uma pessoa pode se lembrar de fragmentos da infância porque sua mãe disse algo como: ‘Não se lembra que eu te levava para passear em um carrinho grande e verde?’. E a pessoa ‘lembra’ disso”.
Psicólogo Martin Conway explica as memórias fictícias
O acadêmico detalhou que o cérebro cria narrativas a partir de histórias contadas por familiares, transformando informações ouvidas em falsas recordações. Sobre a validade científica do relato, o profissional destacou que a ciência mantém margem para exceções. “Não podemos ter certeza de que essas memórias sejam falsas: não podemos descartar casos excepcionais. Mas, no geral, a probabilidade é muito alta de que não sejam verdadeiras”, concluiu.



