Mais de 100 laureados exigem que o Irã liberte Narges Mohammadi após internação
Vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023 foi transferida para um hospital em Teerã após sofrer problemas cardíacos durante a detenção
Um grupo de 112 vencedores do Prêmio Nobel assinou uma declaração solicitando a libertação incondicional da ativista Narges Mohammadi. A mobilização ocorreu após a laureada com o Nobel da Paz de 2023 ser transferida para um hospital em Teerã. A mudança de instalação médica resultou de cobranças feitas por familiares e defensores dos direitos humanos, que exigiam atendimento adequado fora do ambiente de detenção.
O documento cobra que o Irã e a comunidade global atuem “sem demora” para assegurar a liberdade e o tratamento de saúde da ativista. A lista de signatários engloba premiados em diversas categorias, incluindo nomes como Annie Ernaux e JM Coetzee. No texto divulgado, o grupo expressou preocupação com o quadro clínico da iraniana, afirmando que “Especialistas médicos alertam que sua vida pode estar em risco iminente”, devido à falta de cuidados especializados durante os meses de reclusão.
Estado de saúde de Narges Mohammadi no hospital de Teerã
A Fundação Narges relatou que a defensora apresentou desmaios sucessivos enquanto estava mantida na penitenciária de Zanjan. A equipe de defesa informou que ela enfrentou dois problemas cardíacos graves no período de encarceramento. O primeiro evento ocorreu no final de março, quando a encontraram inconsciente na cela, recebendo apenas cuidados básicos na enfermaria. O segundo infarto teria acontecido no início de abril, motivando a transferência para a unidade hospitalar onde permanece internada.
A atual detenção começou em dezembro do ano passado, durante o funeral do advogado Khosrow Alikordi, que faleceu em circunstâncias suspeitas em seu escritório. Durante a cerimônia, ela proferiu críticas ao governo, resultando em sua captura. Posteriormente, a Justiça local determinou uma pena de sete anos e meio de reclusão sob a acusação de “atentar contra a segurança nacional e fazer propaganda contra o regime”, momento em que foi enviada para Zanjan e teve o contato familiar interrompido.
Histórico da vencedora do Prêmio Nobel da Paz no Irã
Aos 54 anos, a iraniana possui um histórico de três décadas de atuação na defesa da igualdade de gênero e dos direitos fundamentais em seu país. Esse posicionamento resultou em diversas prisões e julgamentos ao longo de sua trajetória, motivados por campanhas contra diretrizes governamentais, como a obrigatoriedade do uso do véu islâmico e a aplicação da pena capital. Antes da captura mais recente, ela havia cumprido cerca de quatro anos de pena no complexo de Tevin, conseguindo a liberdade provisória apenas por questões médicas.



