Brasileiros passam mais de 9 horas online e excesso de telas gera debate na Câmara
Especialistas da USP alertam para os riscos da hiperconectividade no desenvolvimento cognitivo de adolescentes.
O Brasil registra média de 9 horas e 32 minutos diários na internet por usuário, índice superior à média global. Esse cenário impulsiona discussões sobre os impactos do excesso de telas no bem-estar da população. Na Câmara dos Deputados, um projeto propõe alertas nos celulares com a mensagem: “Use com moderação. O uso excessivo prejudica a coluna cervical”. A medida reflete a preocupação com os danos físicos do uso prolongado.
O tempo no ambiente digital também afeta o estado psicológico. A psicóloga Carla Cavalheiro, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), explica que as redes sociais podem agravar um quadro emocional delicado ou episódios de tensão emocional. O consumo de conteúdos idealizados gera comparações e busca por validação. Sobre como o meio virtual interage com o sofrimento psíquico, a especialista afirma: “É uma via de mão dupla”.
Excesso de telas e o alerta da USP sobre jovens
O público infantojuvenil é o mais vulnerável à exposição digital. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 88,9% dos brasileiros com 10 anos já possuem celular pessoal. A imaturidade biológica dificulta o gerenciamento do tempo online. A psicóloga detalha essa condição: “Quando a gente fala de crianças e adolescentes, estamos falando de cérebros em desenvolvimento, especialmente do córtex pré-frontal, que é responsável pela capacidade de frear impulsos e avaliar consequências”.
Pesquisadores como Jonathan Haidt apontam que os smartphones transformaram a socialização das novas gerações. A ficção retrata essa realidade na série Adolescência, da Netflix. A produção narra a história de um jovem que tirou a vida de uma colega após interagir com grupos virtuais extremistas. A obra ilustra como dinâmicas digitais nocivas influenciam o comportamento de menores sem que familiares percebam de imediato.
Impacto da hiperconectividade relatado pelo Projeto Brief
Levantamentos recentes reforçam a necessidade de monitoramento. Uma pesquisa de 2025 do Projeto Brief revelou que quase metade das crianças e adolescentes no Brasil demonstra sinais de tensão emocional e irritabilidade associados aos dispositivos. A consolidação desses dados orienta profissionais na busca por estratégias que promovam uma relação equilibrada com a tecnologia, mitigando riscos físicos e cognitivos na atualidade.



