Irã ameaça ataques devastadores contra EUA e Israel em meio à escalada de tensões no Oriente Médio
O governo iraniano rejeitou propostas de Washington e afirmou que manterá o Estreito de Ormuz fechado enquanto os bombardeios continuarem na região.
O governo do Irã emitiu um comunicado oficial nesta quinta-feira prometendo realizar ataques devastadores contra os Estados Unidos e Israel. A declaração ocorre após o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar que pretende bombardear a República Islâmica por mais duas ou três semanas. Segundo o líder dos EUA, a ofensiva militar tem como objetivo fazer o país voltar à “Idade da Pedra”. Trump declarou que Washington está muito próxima de atingir suas metas estratégicas, mas ressaltou que a intensidade das operações aumentará caso Teerã não aceite um acordo para encerrar as hostilidades que já duram mais de um mês.
O conflito bélico, que se expandiu por diversas nações do Oriente Médio, tem gerado impactos severos na economia global e na infraestrutura local. Em Teerã, o Ministério da Saúde confirmou que bombardeios recentes atingiram o Instituto Pasteur, um centro de saúde essencial para a população. Apesar da perda de figuras políticas e militares de alto escalão, como o antigo líder supremo Ali Khamenei, a cúpula do poder iraniano permanece sem registros de deserções. O comando militar Khatam al-Anbiya afirmou em rede estatal que a guerra prosseguirá até a rendição dos oponentes, orientando que o mundo aguarde por ações mais amplas e destrutivas.
Impactos econômicos e bloqueio do Estreito de Ormuz
A continuidade dos confrontos provocou uma forte instabilidade nos mercados financeiros internacionais. Os preços do petróleo registraram altas superiores a 6% nos barris de Brent e West Texas Intermediate logo após os discursos recentes. O Estreito de Ormuz, por onde circulava 20% do suprimento global de energia antes do início das hostilidades, permanece fechado pela Guarda Revolucionária do Irã. A China classificou as ações militares contra o território iraniano como a causa primordial para a interrupção da navegação na rota marítima e solicitou a interrupção imediata dos ataques para estabilizar o comércio global.
Enquanto a diplomacia tenta encontrar saídas, a situação humanitária e civil se agrava. Em Israel, a população precisou utilizar abrigos subterrâneos para realizar celebrações religiosas devido ao lançamento de projéteis iranianos contra a região de Tel Aviv. No Líbano, o grupo Hezbollah intensificou o uso de drones e foguetes contra o norte de Israel, enquanto as autoridades libanesas relatam que os ataques israelenses já resultaram em mais de 1.300 indivíduos que faleceram desde o início de março. O diretor-gerente do Banco Mundial, Paschal Donohoe, manifestou que está “extremamente preocupado” com os reflexos da guerra sobre a inflação e a segurança alimentar.
Negociações diplomáticas e resistência em Teerã
Donald Trump indicou que considera viável o diálogo com os atuais dirigentes iranianos, descrevendo-os como menos radicais que os antecessores. No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, negou a existência de conversas diretas com Washington, afirmando que “mensagens foram recebidas por meio de intermediários, entre eles o Paquistão, mas não há negociações diretas com os Estados Unidos”. Teerã mantém a postura de que as exigências norte-americanas são irracionais, enquanto parte da população local demonstra apoio à continuidade da resistência militar em cerimônias públicas na capital.
O governo dos Estados Unidos reiterou que não abandonará seus aliados estratégicos na região, incluindo Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. Trump advertiu que, na ausência de um consenso diplomático, alvos cruciais como as centrais elétricas iranianas poderão ser atingidos. Por outro lado, o Reino Unido organiza uma reunião com representantes de 35 países para discutir formas de garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. O cenário permanece de incerteza, com ambas as partes mantendo discursos de retaliação e sem sinais imediatos de um cessar-fogo que possa conter a crise energética e humanitária.



