Pai é detido nos Estados Unidos sob acusação de enterrar filho de 11 meses ainda vivo
Investigação aponta que criança apresentava sinais de asfixia e fratura craniana; suspeito possui histórico de violência doméstica e outras infrações.
Um homem de 43 anos, identificado como John Hannon, foi formalmente acusado pelas autoridades do Novo México, nos Estados Unidos, de tirar a vida do próprio filho, um bebê de apenas 11 meses. O corpo da criança, John Teigue “JJ” Hannon, foi localizado em uma vala nas proximidades da rodovia New Mexico 516 no dia 9 de fevereiro. De acordo com os laudos da autópsia divulgados pelo jornal Durango Herald, foram encontrados vestígios de terra nas vias respiratórias do menino, além de uma fratura no crânio. O exame médico indicou que existem evidências de que o bebê tenha sido sepultado enquanto ainda apresentava sinais vitais, o que fundamentou as graves acusações contra o genitor.
O episódio teve início quando Hannon saiu para caminhar com o filho e retornou para casa sem o bebê. Ao ser questionado pela mãe da criança, Krystal Phillips, o homem afirmou que o menino havia sido deixado com a avó, no estado do Colorado. Diante da recusa do suspeito em fornecer provas sobre o paradeiro do filho, Phillips acionou a polícia na noite de 8 de fevereiro. Durante as buscas na região onde o investigado teria caminhado, os agentes localizaram o carrinho do bebê e marcas no solo que levaram ao encontro do corpo. O suspeito foi detido dias depois, escondido sob um cobertor em um trailer, durante uma averiguação policial.
Investigação aponta contradições em depoimentos e histórico criminal
Em depoimento prestado aos investigadores e registrado pela emissora KOB4, John Hannon apresentou versões contraditórias sobre o ocorrido. Embora tenha negado inicialmente ter agredido o filho, ele admitiu que a criança estava “muito ferida” e afirmou que a deixou no local por acreditar que o bebê já havia falecido. Ao ser confrontado sobre a agressão, o acusado declarou: “Não, tecnicamente não”. Em outro momento do interrogatório, o homem afirmou que havia “cometido um erro” e mencionou que seus sentimentos em relação aos filhos haviam passado por transformações, declarando que “em determinado momento” amava as crianças, mas que havia “mudado”.
Os registros do sistema judiciário revelam que o acusado possui um histórico recente de conflitos e violência. Em 2024, Hannon foi alvo de denúncias por agredir o filho adolescente de sua companheira e por ter empurrado a mulher. Além disso, o histórico do suspeito inclui passagens por cárcere privado, resistência à prisão e posse de apetrechos para uso de entorpecentes, tendo inclusive cumprido período de liberdade condicional anteriormente. O Departamento de Crianças, Jovens e Famílias do Novo México confirmou que a estrutura familiar já era monitorada pelas autoridades locais devido a incidentes prévios.
Críticas ao sistema judiciário e próximos passos do processo
O xerife do condado de San Juan, Shane Ferrari, manifestou-se publicamente sobre a gravidade do caso e direcionou críticas à eficácia das leis vigentes. Em comunicado oficial, a autoridade declarou: “Estamos com o coração partido pela perda de uma vida jovem em nossa comunidade. Investigaremos este caso com todo o empenho e buscaremos justiça incansavelmente”. Ferrari também enfatizou que o ocorrido serve como um alerta sobre as falhas estruturais, afirmando que “este é mais um exemplo do sistema de justiça criminal falho do Novo México”. A declaração reflete a indignação das forças de segurança locais diante da reincidência criminal do suspeito.
Atualmente, John Hannon permanece sob custódia e responde pelos crimes de abuso infantil qualificado resultando em falecimento e adulteração de provas. A justiça local agendou uma audiência para a próxima semana, onde o acusado deverá comparecer ao tribunal para dar prosseguimento ao rito processual. O caso gerou ampla repercussão na comunidade de San Juan, mobilizando órgãos de proteção à infância e reforçando o debate sobre a fiscalização de indivíduos com histórico de violência doméstica. As autoridades continuam a reunir evidências para consolidar o inquérito que será apresentado ao Ministério Público.



