Saúde & Bem-estar

Especialistas alertam para os perigos do consumo excessivo de energéticos para o coração

Estudos indicam que a combinação de cafeína e estimulantes em bebidas energéticas pode causar arritmias e sobrecarga cardíaca em jovens e adultos.

O consumo de bebidas energéticas, frequentemente utilizadas para aumentar o desempenho em treinos, estudos ou em contextos sociais, tem gerado alertas rigorosos por parte da comunidade médica. Embora ofereçam uma sensação imediata de disposição, essas substâncias podem atuar como uma sobrecarga severa para o sistema cardiovascular. Casos recentes ocorridos em 2025 reforçam essa preocupação, como o de uma jovem de 20 anos que sofreu múltiplas paradas cardíacas e o de uma mulher de 28 anos que faleceu após um infarto súbito. Em ambas as situações, havia a suspeita de ingestão elevada de energéticos antes de atividades físicas, mesmo sem histórico de doenças prévias.

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A composição dessas bebidas é o principal fator de risco, pois mistura altas doses de cafeína com outros componentes estimulantes, como taurina e guaraná, além de elevados índices de açúcar. Segundo a médica Cynthia Karla Magalhães, do Instituto Nacional de Cardiologia, o efeito imediato pode incluir picos de pressão alta e desidratação. Em entrevista, a especialista afirmou que “a curto prazo, pode gerar picos hipertensivos, desidratação e até perda de consciência”. Ela complementa que, com o passar do tempo, o uso frequente “pode comprometer a função cardíaca, alterar o padrão de sono e aumentar o risco de doenças cardiovasculares”.

Impactos da cafeína e substâncias estimulantes no organismo

A dosagem é um ponto crítico para a segurança do consumidor. A Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta que o limite seguro de cafeína para um adulto saudável é de cerca de 500 mg diários. Contudo, uma única lata de energético pode conter até 250 mg, o que facilita ultrapassar a margem de segurança ao consumir mais de uma unidade ou combinar a bebida com suplementos pré-treino. Uma pesquisa da University of Waterloo, no Canadá, revelou que 55,4% dos jovens entrevistados sentiram efeitos adversos. Entre os relatos, 24,7% mencionaram batimentos cardíacos acelerados ou irregulares, sintoma característico da arritmia, enquanto outros apresentaram dores de cabeça e dificuldades para dormir.

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Outro agravante considerável é a mistura de energéticos com bebidas alcoólicas, prática comum em eventos sociais. Essa combinação é perigosa porque o álcool atua como depressor do sistema nervoso, enquanto o energético é um estimulante, o que acaba por camuflar os sinais de embriaguez. Conforme explica Magalhães, “o álcool tem efeito depressor no sistema nervoso, enquanto o energético é estimulante. Isso mascara a percepção de embriaguez”. Essa falsa sensação de sobriedade induz o indivíduo a beber mais, elevando drasticamente as chances de intoxicação e de eventos cardíacos graves, como infartos.

Sinais de alerta e recomendações para o consumo seguro

O corpo humano costuma manifestar sinais quando a ingestão de estimulantes ultrapassa o limite suportável. Os sintomas mais frequentes incluem palpitações, tonturas, tremores e uma acentuada tensão emocional ou agitação. Em quadros mais severos, podem ocorrer desmaios e crises hipertensivas. Especialistas recomendam que, ao notar qualquer irregularidade no ritmo cardíaco ou mal-estar após o consumo, o indivíduo deve interromper o uso imediatamente e procurar assistência médica. A conscientização sobre os limites biológicos é essencial, visto que muitos consumidores possuem vulnerabilidades cardíacas desconhecidas que podem ser desencadeadas pelo uso dessas substâncias.

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