Caos climático: últimos dez anos foram os mais quentes já registrados
Documento destaca temperatura 1,43°C acima da média e nível dos oceanos em elevação recorde até 2025
Um novo relatório divulgado nesta segunda-feira (23) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada às Nações Unidas, revelou dados alarmantes sobre a situação ambiental do planeta. O documento confirma que o mundo vivenciou os dez anos mais quentes de sua história no período encerrado em 2025. Apenas no ano passado, a temperatura média global situou-se cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais, classificando-o como o segundo ou terceiro ano mais quente de toda a série histórica de medições. O estudo ressalta que o aquecimento global possui ligação direta com a emissão de gases de efeito estufa, incluindo dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que alcançaram patamares recordes não vistos em centenas de milhares de anos.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, enfatizou a gravidade do cenário atual e a responsabilidade das ações antrópicas nesse processo de degradação ambiental contínua. Segundo a especialista, a ciência tem avançado na detecção precisa das alterações que o globo enfrenta. “Os avanços científicos aprimoraram nossa compreensão do desequilíbrio energético da Terra e da realidade que nosso planeta e nosso clima enfrentam atualmente”, afirmou Saulo. Ela acrescentou ainda um prognóstico preocupante sobre a duração desses efeitos: “As atividades humanas estão perturbando cada vez mais o equilíbrio natural e conviveremos com essas consequências por centenas e milhares de anos”.
Aquecimento dos oceanos e nível do mar
O levantamento detalha que os oceanos desempenham um papel central na regulação térmica, absorvendo mais de 90% do calor gerado pelo aquecimento global. Em 2025, as águas oceânicas registraram o maior nível de aquecimento desde o início dos monitoramentos, o que acelera o derretimento de gelo e contribui para a elevação do nível do mar. Atualmente, o nível médio global dos oceanos está aproximadamente 11 centímetros mais alto do que o registrado em 1993, o que potencializa o risco de alagamentos e impactos severos em zonas costeiras. Celeste Saulo alertou sobre a tangibilidade desses fenômenos: “No dia a dia, nosso clima tem se tornado mais extremo”. A secretária-geral completou citando os desastres recentes: “Em 2025, ondas de calor, incêndios florestais, secas, ciclones tropicais, tempestades e inundações causaram milhares de mortes, afetaram milhões de pessoas e geraram bilhões em prejuízos econômicos”.
Além das questões oceanográficas, o relatório aponta para a redução crítica do gelo marinho tanto no Ártico quanto na Antártida, que permanecem em níveis historicamente baixos, somada à perda acelerada de massa das geleiras. A frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e enchentes, têm provocado falecimentos e deslocamentos populacionais em diversas regiões. As consequências estendem-se à segurança alimentar, devido às perdas na agricultura, e à saúde pública, com o avanço de doenças sensíveis ao clima, como a dengue. O calor excessivo também tem impactado diretamente milhões de trabalhadores ao redor do globo, configurando uma crise que ultrapassa as fronteiras ambientais e atinge a economia e o bem-estar social.
Necessidade de ação global imediata
Diante das evidências apresentadas pela OMM, o secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o cenário como de extrema urgência. Para o representante das Nações Unidas, o planeta está sendo conduzido ao seu limite físico e ecológico. A avaliação de Guterres indica que o avanço das mudanças climáticas demanda uma resposta imediata e coordenada das nações para evitar que as consequências se tornem ainda mais devastadoras nas próximas décadas. O relatório serve como um alerta definitivo de que as alterações no clima já são uma realidade palpável e que a mitigação dos danos exige esforços globais sem precedentes para proteger as futuras gerações e a biodiversidade terrestre.



