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ONU aponta 3,2 milhões de deslocados no Irã após ofensiva de EUA e Israel

Dados do Acnur revelam fuga em massa para zonas rurais e norte do país; conflito já envolve 15 nações e afeta também o Líbano

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) comunicou nesta quinta-feira, 12, que aproximadamente 3,2 milhões de cidadãos iranianos deixaram suas residências desde o começo das incursões militares coordenadas pelos Estados Unidos e Israel. A ofensiva, iniciada em 28 de fevereiro, desencadeou um confronto em diversas frentes no Oriente Médio, forçando a movimentação de civis que buscam segurança longe dos centros urbanos atingidos pelas hostilidades recentes. A agência monitora o fluxo de pessoas e alerta para o agravamento da situação humanitária na região.

Ayaki Ito, coordenador da equipe de apoio emergencial do órgão, detalhou a dimensão da crise. Segundo o representante, “Entre 600 mil e um milhão de famílias iranianas estão deslocados temporariamente dentro do país por causa do conflito em curso, o que representa até 3,2 milhões de pessoas”. O fluxo migratório interno segue uma rota específica de evasão das áreas mais populosas em direção a locais considerados menos visados pelos bombardeios. “A maioria foge de Teerã e de outras grandes cidades para buscar refúgio no norte do país e nas zonas rurais”, completou Ito, indicando que os números devem subir enquanto o conflito persistir.

Vulnerabilidade de refugiados estrangeiros

Além da população local, a agência da ONU destacou a situação crítica de estrangeiros que já se encontravam no Irã antes da escalada da violência. Ito ressaltou que “As famílias de refugiados acolhidas no país, em sua maioria afegãs, também são afetadas. Sua situação precária e suas redes de apoio limitadas as tornam especialmente vulneráveis”. O cenário bélico se intensificou após a resposta de Teerã à ofensiva inicial, resultando em um conflito que atualmente abrange 15 nações e envolveu o disparo de centenas de mísseis e drones contra estruturas estratégicas e aeroportos na região do Golfo.

As Forças Armadas norte-americanas relataram ter atingido mais de 3 mil alvos distribuídos por todas as 31 províncias iranianas. Em contrapartida, a República Islâmica lançou cerca de 500 mísseis e 2 mil drones, visando pontos estratégicos, embora muitos tenham sido interceptados pelos sistemas de defesa. As estimativas indicam que 7,5 milhões de habitantes residem em um raio de apenas um quilômetro dos locais impactados por bombardeios, o que eleva significativamente o risco para a população civil que permanece nas áreas de conflito direto e dificulta as operações de resgate.

Expansão do conflito no Líbano

A instabilidade regional atingiu severamente o Líbano, arrastado para o confronto devido às ações da milícia Hezbollah em apoio ao Irã. O Acnur contabiliza que mais de 700 mil pessoas abandonaram suas casas, principalmente no sul libanês, onde o Exército de Israel realiza operações terrestres combinadas com ataques aéreos. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, confirmou a continuidade das operações militares na região, declarando nesta quinta-feira que a campanha está “em expansão”, o que sugere o prolongamento da crise humanitária nos territórios afetados pela guerra.

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