Relatório urgente da ONU expõe ações de Trump contra imigrantes e números chocam
Documento aponta aumento de deportações e uso de linguagem desumanizante por líderes políticos norte-americanos
O Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (Cerd) emitiu um comunicado nesta quarta-feira, 11, alertando que a retórica adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por outras lideranças políticas tem impulsionado sérias infrações aos direitos humanos. O órgão internacional manifestou profunda inquietação com a propagação do que classificou como “discurso de ódio racista” no país norte-americano. Segundo o relatório, há uma utilização recorrente de “linguagem depreciativa e desumanizante”, além da aplicação de estereótipos nocivos contra grupos vulneráveis, incluindo refugiados, imigrantes e solicitantes de asilo.
De acordo com o documento apresentado em caráter de urgência, essas populações têm sido retratadas “como criminosos ou como um fardo, por parte de políticos e figuras públicas influentes nos mais altos níveis do Estado, em particular seu presidente”. Para os especialistas do comitê, essa postura oficial “fomenta a intolerância e pode incitar a discriminação racial e os crimes de ódio”. O grupo, formado por 18 peritos independentes responsáveis por monitorar a adesão à Convenção Internacional sobre a Eliminação da Discriminação Racial, destacou o impacto direto dessas narrativas na segurança e integridade das minorias dentro do território estadunidense.
Perfilamento racial e deportações em massa
Além da retórica, o Cerd apontou preocupação com o “uso sistemático de perfis raciais” implementado pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e outros órgãos de segurança na ofensiva contra a imigração irregular. O relatório indica que a seleção de “pessoas de origem hispânica/latina, africana ou asiática e os controles de identidade arbitrários (…) teriam dado lugar à detenção generalizada de refugiados, solicitantes de asilo, migrantes e pessoas percebidas como tais”. Dados apontam que ao menos 675 mil indivíduos foram deportados desde janeiro de 2025, período que marca o retorno de Trump ao poder.
No início deste ano, milhares de agentes federais conduziram semanas de operações e detenções em larga escala em Minnesota, ações que a administração federal descreveu como missões focadas em criminosos. A operação gerou controvérsia e foi encerrada no mês passado após a indignação pública decorrente dos falecimentos de dois cidadãos americanos, Renee Good e Alex Pretti, além da custódia de uma criança de cinco anos. O aumento drástico nas detenções também foi citado, com números subindo de 40 mil no fim de 2024 para aproximadamente 73 mil no começo do ano corrente.
Exigência de responsabilização e investigações
Diante do cenário apresentado, o comitê das Nações Unidas instou Washington a “garantir a responsabilização, inclusive por meio de investigações eficazes, exaustivas e imparciais” referentes a todas as denúncias de violações de direitos. O órgão internacional reforça a necessidade de rever as políticas atuais que resultaram na superlotação dos centros de detenção de imigrantes e na aplicação de medidas que afetam desproporcionalmente minorias raciais e étnicas, buscando alinhar as práticas domésticas aos tratados internacionais de direitos humanos dos quais o país é signatário.



