Política

Lula alerta sobre risco de invasão e propõe produção de armas com a África do Sul

Líderes discutiram a ampliação do comércio bilateral e a necessidade de autossuficiência militar durante encontro oficial no Palácio do Planalto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o líder sul-africano Cyril Ramaphosa nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto. Os chefes de Estado debateram a ampliação das relações comerciais e a cooperação no setor militar. A pauta envolveu parcerias no turismo e o objetivo de elevar o fluxo financeiro bilateral, mantido na faixa de US$ 2,3 bilhões há duas décadas.

A segurança nacional ganhou destaque nas declarações do mandatário brasileiro, que defendeu a produção própria de equipamentos bélicos. “Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. Essa é uma coisa de que o Brasil tem necessidade, similar à necessidade da África do Sul, e que vamos juntar o nosso potencial e ver o que a gente pode construir juntos. Não precisamos comprar as armas do exterior; podemos produzir. Precisamos nos convencer de que ninguém vai ajudar a gente a não ser nós mesmos”, declarou o presidente.

Investimentos militares e parcerias comerciais

Apesar do discurso focado no fortalecimento bélico, o Brasil destina cerca de 1% de seu Produto Interno Bruto para a área, índice inferior à média global de 2,4%. Além das tratativas sobre armamentos, os governantes exploraram avanços em agricultura, meio ambiente e energia. O cenário internacional foi abordado, com menções aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os custos do petróleo e dos alimentos.

O fortalecimento das transações econômicas entre países emergentes foi apontado como prioridade para reduzir a dependência de mercados do hemisfério norte. “Não existe explicação política para que a gente não tenha um comércio bilateral acima de US$ 10 bilhões. Você (Ramaphosa) é um dos poucos presidentes que eu posso tratar de companheiro. A sua visita vai permitir que a gente repense a nossa atuação com a África do Sul. Temos muito que aprender e a ensinar”, afirmou Lula.

Novas rotas econômicas no mercado global

A comitiva sul-africana, acompanhada por vinte empresários, busca atrair investimentos e fomentar a pesquisa conjunta. Ramaphosa avaliou que o atual volume de negócios está abaixo do potencial. No contexto das relações exteriores, o líder estrangeiro indicou que a aplicação de tarifas comerciais desproporcionais pelos Estados Unidos pode atuar como incentivo para que nações em desenvolvimento estabeleçam rotas alternativas de exportação.

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