Reviravolta no caso Sicário: Governo de MG desmente morte e atualiza quadro
Luiz Phillipi Mourão permanece internado no Hospital João XXIII; Secretaria de Saúde nega protocolo de morte encefálica divulgado anteriormente
A Secretaria de Saúde de Minas Gerais confirmou, nesta quinta-feira (5), que o estado de saúde de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão é considerado gravíssimo. Conhecido pela alcunha de “Sicário” e identificado pela Polícia Federal como o principal auxiliar do banqueiro Daniel Vorcaro, ele permanece internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. A atualização oficial surge após informações divergentes circularem sobre a condição do investigado, que tentou tirar a própria vida nas dependências da Superintendência da Polícia Federal. Embora a corporação tenha comunicado anteriormente a constatação de morte cerebral por médicos da unidade, o governo mineiro esclareceu que o paciente segue vivo, sem abertura de protocolo para confirmação de óbito encefálico até o momento.
O episódio que resultou na internação ocorreu na tarde de quarta-feira (4), enquanto Mourão aguardava a realização de sua audiência de custódia, após ter sido detido na terceira fase da Operação Compliance Zero. De acordo com a autoridade policial, o incidente aconteceu dentro da sede da instituição. Em nota sobre o ocorrido, a corporação detalhou a resposta rápida dos agentes presentes. “Ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local, e o custodiado será encaminhado a rede hospitalar para avaliação e para atendimento médico”, informou a Polícia Federal.
Inquérito policial e relato da defesa sobre o caso
Diante da gravidade dos fatos, a Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias do evento. As imagens do circuito interno que registraram o ocorrido foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do processo envolvendo o Banco Master. A defesa de Mourão manifestou estranheza quanto ao ocorrido, relatando que esteve com o cliente poucas horas antes e não notou sinais de instabilidade. Em comunicado, os advogados ressaltaram que o contato ocorreu “durante o dia, até por volta das 14h, quando ele se encontrava em plena integridade física e mental”, indicando que não havia alterações comportamentais perceptíveis naquele momento.
O investigado recebeu o apelido de “Sicário”, termo geralmente vinculado a executores de aluguel, e foi detido na mesma operação que resultou na segunda prisão de Daniel Vorcaro. As acusações contra o grupo incluem suposta tentativa de obstrução de Justiça, coação de testemunhas, ameaças e corrupção de servidores do Banco Central. Relatórios da investigação apontam que Mourão desempenhava funções estratégicas na organização, sendo responsável pelo monitoramento de alvos e pela extração ilegal de dados de sistemas sigilosos. Além disso, ele é suspeito de coordenar ações de intimidação física e moral contra desafetos do banqueiro, incluindo ex-funcionários, testemunhas e profissionais de imprensa.
Pagamentos milionários e estrutura da organização
Documentos analisados durante a operação indicam que a atuação de Mourão era financeiramente expressiva dentro da suposta organização criminosa. Segundo o relatório policial, existem indícios de que ele recebia valores próximos a R$ 1 milhão mensalmente pela prestação dos supostos serviços ilícitos. A Polícia Federal sustenta a tese de que esses pagamentos faziam parte da estrutura operacional montada para blindar os interesses de Daniel Vorcaro e garantir a continuidade das atividades do grupo. O quadro de saúde de Mourão permanece sob monitoramento contínuo da equipe médica do Hospital João XXIII, sendo considerado crítico pelas autoridades de saúde estaduais.



