PF aponta que Ciro Nogueira e Rueda viajaram em aeronave de Vorcaro
Informações apreendidas pela Polícia Federal mostram nomes de Ciro Nogueira e Antônio Rueda em lista de passageiros de dono do Banco Master
A apuração realizada pela Polícia Federal sobre os arquivos digitais do banqueiro Daniel Vorcaro revelou a concessão de transporte aéreo para lideranças políticas ligadas ao bloco do centrão. Conforme documentos obtidos durante o inquérito, as listas de passageiros das aeronaves privadas pertencentes ao proprietário do Banco Master incluem os nomes dos presidentes nacionais do Progressistas, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda. Os dados analisados pelas autoridades indicam a utilização dos bens do empresário pelos parlamentares em trajetos específicos identificados na investigação.
Os registros identificados pelos investigadores fazem referência a deslocamentos com destino ao Aeroporto de Congonhas, localizado em São Paulo, ocorridos no final de 2024. Além da confirmação logística, o material apreendido expõe a proximidade entre as partes, sendo que o senador Ciro Nogueira é mencionado pelo banqueiro, em mais de uma oportunidade, como um “grande amigo de vida”. Essa relação pessoal aparece contextualizada dentro das informações extraídas dos dispositivos eletrônicos submetidos à perícia oficial, reforçando o vínculo entre o setor financeiro e a política.
Relação legislativa e emenda parlamentar
O vínculo entre o senador pelo Piauí e o empresário estende-se à atuação legislativa, uma vez que o parlamentar é o autor da proposição conhecida como “emenda Banco Master”. O texto legislativo tinha como objetivo elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), alterando o limite de proteção de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante. A medida beneficiaria diretamente instituições financeiras de médio porte, segmento no qual a empresa de Vorcaro atua no mercado nacional, demonstrando uma convergência de interesses entre a atividade parlamentar e o setor bancário.
Daniel Vorcaro foi detido na última quarta-feira (4) em cumprimento a uma determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As justificativas para a medida judicial incluem indícios de irregularidades financeiras, além de acusações de que o banqueiro ameaçava desafetos e funcionários. A operação que resultou na custódia do empresário faz parte de um conjunto mais amplo de averiguações sobre as condutas do gestor à frente da instituição bancária e suas conexões com outras esferas de poder.
Posicionamento dos citados na investigação
Diante das revelações contidas nos relatórios da Polícia Federal sobre o uso das aeronaves particulares, a reportagem buscou contato com as assessorias dos envolvidos para obter esclarecimentos sobre os fatos. Até o momento da divulgação das informações, tanto Ciro Nogueira quanto Antônio Rueda não haviam encaminhado respostas sobre os voos mencionados nos documentos apreendidos. O inquérito segue em andamento para detalhar a extensão das relações e a regularidade dos transportes oferecidos pelo banqueiro aos agentes públicos.



