Tensão no Oriente Médio explode com avanço de tropas e bombardeios em Beirute
Conflito entra no quarto dia com confrontos diretos na fronteira e evacuação de civis em áreas estratégicas
Israel deflagrou uma nova série de operações aéreas contra o território libanês nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, marcando o quarto dia consecutivo de hostilidades na região. Enquanto as aeronaves realizavam incursões, tropas terrestres avançaram sobre diversas cidades situadas na fronteira sul, ampliando o cenário de conflito no Oriente Médio. A escalada de tensão teve início na segunda-feira anterior, após uma ofensiva inicial do Hezbollah, movimento alinhado ao Irã, que declarou agir em resposta ao falecimento do aiatolá Ali Khamenei, ocorrido no primeiro dia das movimentações militares na área.
Na capital libanesa, colunas de fumaça foram registradas na zona sul, área considerada um reduto do grupo xiita. Em comunicado oficial via Telegram, as forças militares de Israel confirmaram ter “iniciado ataques à infraestrutura do Hezbollah em Beirute”. As autoridades locais reportaram três novos óbitos decorrentes de bombardeios que atingiram veículos na rodovia de acesso ao aeroporto. Desde o começo da semana, os relatórios indicam que 72 pessoas perderam a vida e mais de 83 mil foram deslocadas. No sul do país, tragédias familiares foram confirmadas, incluindo o falecimento de um prefeito e sua esposa em Nabatiyeh, além de um casal e seus dois filhos em uma localidade vizinha.
Ofensiva contra lideranças regionais
Além das operações em áreas urbanas, houve registros de ações direcionadas a figuras específicas. A agência de notícias libanesa Ani informou que Israel tirou a vida de Wasim Atala al-Ali, identificado como um integrante de alto escalão do Hamas, juntamente com sua esposa, no campo de refugiados de Beddawi, próximo a Trípoli. O incidente ocorreu quando “um drone inimigo atacou sua casa” durante a madrugada. Em resposta ao cenário, Naim Qassem, líder do Hezbollah, realizou seu primeiro pronunciamento televisionado desde o início da crise, afirmando que o grupo enfrentará a “agressão israelense-americana” e não se renderá.
As hostilidades também se manifestaram através de contra-ataques. O Hezbollah reivindicou a autoria de pelo menos 23 investidas contra o território israelense, incluindo o disparo de um “míssil de precisão” contra uma base militar e ataques a instalações aeroespaciais no centro do país. Pela primeira vez, foram relatados confrontos “diretos” entre combatentes do grupo e soldados israelenses na cidade de Khiam, localizada a seis quilômetros da fronteira. Um comunicado militar de Israel destacou que o exército “realizou uma nova onda de ataques e desmantelou a infraestrutura terrorista do Hezbollah em todo o Líbano”.
Impasse sobre acordos anteriores
O atual cenário bélico coloca em xeque os termos do cessar-fogo estabelecido em novembro de 2024. Pelas regras acordadas, apenas as forças de paz da ONU e o exército libanês teriam permissão para portar armamentos na região ao sul do rio Litani. No entanto, Israel manteve contingentes em cinco pontos considerados estratégicos, justificando a permanência e os bombardeios regulares devido à “recusa do Hezbollah em depor as armas”. A situação permanece instável, com evacuações de civis sendo solicitadas pelas forças israelenses em bairros específicos antes dos bombardeios.



