Política

Poder de compra de alimentos atinge maior nível do governo Lula em 2026

Levantamento da 4intelligence indica recuperação impulsionada pelo salário mínimo, mas índice segue abaixo do patamar pré-pandemia

O poder de aquisição de itens alimentícios no Brasil alcançou, no início de 2026, o patamar mais elevado desde o começo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com um levantamento realizado pela consultoria 4intelligence, a melhoria nos indicadores econômicos reflete uma combinação de fatores macroeconômicos, incluindo o aumento real do salário mínimo, o aquecimento do mercado de trabalho e a desaceleração da inflação no período recente, permitindo um alívio no orçamento das famílias.

A análise, conduzida pelo economista Bruno Imaizumi, utiliza dados de preços da cesta básica apurados pelo Dieese e informações de renda do IBGE para calcular a relação entre rendimentos e custo dos alimentos. Os números mostram que, em São Paulo, um trabalhador remunerado pelo piso nacional conseguiria adquirir o equivalente a 1,9 cesta básica no começo de 2026. Este índice representa o melhor resultado observado desde 2023, evidenciando uma recuperação gradual na capacidade de consumo dos trabalhadores brasileiros frente aos custos de alimentação.

Recuperação econômica e níveis pré-pandemia

Apesar do avanço registrado nos últimos anos, o indicador de poder de compra ainda permanece abaixo dos níveis verificados antes da crise sanitária global. O estudo aponta que o patamar atual se encontra cerca de 8% inferior à média registrada entre os anos de 2010 e 2019. Essa diferença demonstra que, embora haja uma trajetória de crescimento consistente, o impacto acumulado da inflação passada e a variação nos preços dos alimentos continuam pesando no orçamento doméstico, exigindo mais tempo para que os padrões de consumo anteriores sejam plenamente restabelecidos.

Além do salário mínimo, a pesquisa avaliou a renda média do trabalho no país para traçar um panorama mais amplo. Em dezembro de 2025, o rendimento médio permitia a aquisição de aproximadamente 4,28 cestas básicas, configurando também o maior nível deste mandato atual. Contudo, ao comparar com o cenário histórico, nota-se a mesma tendência de defasagem: o número ainda é menor do que a média pré-pandemia, que era de 4,82 cestas. Esses dados reforçam que a recomposição da renda tem ocorrido, porém ainda não foi suficiente para superar as marcas da década passada.

Fatores determinantes para o avanço

O levantamento da consultoria destaca que a melhora recente foi impulsionada fundamentalmente por reajustes do salário mínimo acima da inflação e pela dinâmica positiva da geração de empregos. A desaceleração relativa dos índices de preços também desempenhou papel crucial para que o dinheiro do trabalhador rendesse mais no supermercado. O monitoramento contínuo desses indicadores é essencial para compreender a evolução da segurança alimentar e a efetividade das políticas econômicas voltadas para a manutenção e ampliação do poder de compra da população brasileira nos próximos meses.

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