Mundo

Reino Unido autoriza uso de bases militares pelos EUA contra o Irã

Primeiro-ministro alega defesa de civis e descarta participação direta em ataques, citando lições aprendidas no Iraque

O governo do Reino Unido deferiu a solicitação dos Estados Unidos para a utilização de suas instalações militares em operações voltadas à neutralização de lançadores e depósitos de mísseis em território iraniano. A comunicação oficial ocorreu no domingo (1º.mar.2026), por meio do primeiro-ministro Keir Starmer, do Partido Trabalhista. A medida tem como foco estratégico a proteção de nacionais britânicos situados no Oriente Médio, diante da escalada das tensões na região, além de garantir a segurança de aliados no Golfo Pérsico que solicitaram suporte defensivo adicional.

Embora tenha concedido o acesso logístico, Starmer enfatizou que a nação não participará ativamente das ofensivas, citando experiências históricas anteriores como ponto de cautela. O premiê ressaltou que “todos nos lembramos dos erros do Iraque e aprendemos aquelas lições” e assegurou que o país “não esteve envolvido nos ataques iniciais contra o Irã e não se juntará às ações ofensivas agora”. A postura busca equilibrar o apoio ao aliado norte-americano com a prudência diplomática necessária para evitar um envolvimento direto em larga escala no conflito.

Bases estratégicas e incidente no Chipre

Informações veiculadas pela rede BBC indicam que as operações devem utilizar a estação da RAF em Fairford, na Inglaterra, e a instalação de Diego Garcia, localizada no Oceano Índico. Ambas as estruturas possuem histórico de uso em missões de bombardeio de longo alcance pelos norte-americanos. Poucas horas após o comunicado oficial, a base da RAF em Akrotiri, no Chipre, foi alvo de um drone. O Ministério da Defesa informou que a ação causou apenas danos materiais mínimos e não houve registro de vítimas entre o pessoal militar ou civil no local.

O contexto da autorização envolve uma campanha militar iniciada por Israel e Estados Unidos no sábado (28.fev.2026), que resultou no falecimento do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Em retaliação, o regime de Teerã lançou ofensivas contra ativos dos EUA e nações vizinhas que abrigam forças norte-americanas, incluindo Bahrein e Emirados Árabes Unidos. O presidente Donald Trump declarou que a ação visa encerrar o programa nuclear persa, enquanto o Irã decretou luto oficial e formou um conselho interino composto por três integrantes para exercer as funções de liderança.

Propósito defensivo e proteção de civis

Em seu discurso, Starmer justificou a colaboração afirmando que as bases servirão ao “propósito defensivo específico e limitado” de eliminar a capacidade bélica do oponente. Ele argumentou: “A única maneira de parar a ameaça é destruir os mísseis na origem, em seus depósitos de armazenamento, ou os lançadores que são usados para disparar os mísseis”. O primeiro-ministro concluiu dizendo: “Tomamos a decisão de aceitar este pedido [dos EUA] para impedir que o Irã dispare mísseis pela região, matando civis inocentes, colocando vidas britânicas em risco e atingindo países que não estiveram envolvidos”.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo