‘Nem Jesus salva’: a dura resposta do prefeito de SP ao CEO da Enel
Ricardo Nunes contesta versão da concessionária sobre queda de árvores e defende saída da companhia após declarações polêmicas de executivo
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, contestou veementemente as recentes declarações de Flavio Cattaneo, CEO global da Enel, sobre a responsabilidade pelos apagões na capital paulista. O executivo da multinacional havia afirmado que, sem o manejo adequado da vegetação sobre a rede elétrica, apenas uma intervenção divina evitaria novas interrupções no fornecimento de energia. Em resposta, o chefe do executivo municipal classificou a postura da concessionária como desrespeitosa e argumentou que a companhia tenta transferir a culpa por falhas operacionais para fatores externos, reiterando seu desejo de que a empresa deixe de operar na cidade.
Durante sua manifestação na noite de segunda-feira, Nunes utilizou a mesma referência religiosa feita pelo empresário para criticar a gestão da distribuidora e a qualidade do serviço prestado. Segundo o prefeito, “minha opinião é que nem Jesus Cristo consegue salvar essa empresa, tal nível de irresponsabilidade e capacidade de mentir”. Ele sustentou que os dados técnicos contradizem a versão da multinacional, apontando que mais de 80% das áreas afetadas pela falta de energia não apresentaram correlação direta com a queda de árvores sobre a fiação, caracterizando o problema como ineficiência da gestão.
divergências sobre causas dos apagões
A polêmica teve início após Cattaneo declarar, em evento para investidores e analistas em Milão, que a rede elétrica paulistana se encontra entrelaçada à vegetação, o que tornaria os cortes de luz inevitáveis durante tempestades severas. O executivo argumentou que “se permanecer desse jeito (queda de árvores sobre a fiação), só um é capaz de gerenciar, mas este não é humano, é Jesus Cristo, porque não há outro jeito de evitar o apagão”. Ele também comparou a infraestrutura local com a de outras metrópoles, alegando que São Paulo possui características distintas de cidades europeias quanto ao cabeamento aéreo.
O histórico recente de instabilidade no serviço tem gerado pressão sobre a concessionária por parte das autoridades e da população. Eventos climáticos ocorridos no final do ano passado deixaram milhões de clientes sem eletricidade por dias, motivando ações governamentais mais rígidas. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, solicitou formalmente à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a abertura de um processo administrativo que avalia a possibilidade de rescisão do contrato de concessão da empresa na capital paulista e região metropolitana devido à demora no restabelecimento do serviço.
posicionamento da empresa e investimentos
Apesar das críticas e da fiscalização regulatória, a direção da Enel informou que não pretende vender a operação e que cumpriu os critérios estabelecidos no contrato de concessão. A companhia anunciou um plano de investimentos de R$ 25 bilhões no Brasil para modernização das redes de distribuição. Em nota oficial, a empresa reiterou que “mais de 90% dos casos de falta de luz foram decorrentes de causas ambientais, como a queda de árvores e galhos ou o contato da vegetação com a rede elétrica”, contestando os números apresentados pela prefeitura e afirmando que demonstrará a realidade dos fatos.



