Boulos diz estar doido para ver embate entre Lula e Flávio sobre segurança
Em entrevista a Datena, ministro citou investigações no Rio de Janeiro e defendeu a autonomia da Polícia Federal no atual governo
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol), abordou o cenário das eleições de 2026 durante uma entrevista concedida ao programa Alô, Alô Brasil, da Rádio Nacional. Na ocasião, o titular da pasta comentou sobre as expectativas para o pleito de outubro e direcionou críticas ao senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O foco central das declarações foi a temática da segurança pública, um dos pontos sensíveis do debate político nacional, com Boulos sugerindo um confronto direto de ideias entre o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o parlamentar do Partido Liberal.
Durante a conversa com o apresentador José Luiz Datena, Boulos enfatizou o desejo de assistir a um debate focado em propostas e históricos de gestão na área de segurança. O ministro questionou a postura da oposição em relação ao tema e desafiou o senador a discutir o assunto frente a frente com o presidente Lula. Em sua fala, Boulos declarou: “A oposição vive dizendo que quer debater segurança pública na eleição. Eu estou doido para ver o Lula debater com Flávio Bolsonaro segurança pública”. A declaração ocorre em um momento de pré-campanha, onde as estratégias discursivas começam a ser definidas pelos principais grupos políticos do país.
Apontamentos sobre histórico no Rio de Janeiro
Ao aprofundar suas críticas, o ministro relembrou episódios envolvendo o senador durante seu período como deputado estadual no Rio de Janeiro. Boulos mencionou supostas ligações com grupos paramilitares e citou nomes conhecidos do noticiário policial, como Fabrício Queiroz e Adriano da Nóbrega. O ministro utilizou o espaço para listar o que considera contradições na postura do pré-candidato do PL. Conforme suas palavras exatas na entrevista: “Quem é acusado de relação com milícia no Rio de Janeiro é ele. Quem, inclusive, empregou no seu gabinete Adriano da Nóbrega, chefe do escritório do crime envolvido no assassinato da Marielle Franco, é ele. O Queiroz. Quem tomou processo por rachadinha em loja de chocolate da Kopenhagen lá na Barra da Tijuca é ele. Vamos botar a ficha corrida aqui”.
O contexto das declarações remete a fatos anteriores envolvendo Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope que faleceu em 2020 durante uma operação policial na Bahia. Nóbrega, apontado como liderança de um grupo de extermínio conhecido como Escritório do Crime, recebeu homenagens de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em ocasiões passadas. Além das honrarias concedidas, investigações apontaram que familiares do ex-policial, especificamente sua mãe e sua esposa, foram nomeadas para cargos no gabinete de Flávio à época em que ele exercia mandato no legislativo estadual fluminense.
Comparativo sobre autonomia nas investigações
Para encerrar sua participação, Guilherme Boulos estabeleceu um comparativo entre a gestão atual e o governo anterior no que tange à liberdade de atuação dos órgãos de controle. O ministro citou operações recentes que apuram fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e no Banco Master como exemplos de que o governo não interfere no trabalho da polícia. Boulos argumentou que a postura de Lula difere da conduta atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro finalizou o raciocínio afirmando: “Como Lula manda investigar, dá autonomia para a Polícia Federal — coisa que o Bolsonaro não fez, mandou afastar delegada da PF que tava investigando o filho dele no Rio de Janeiro. Aí, eles querem se vender como arautos da moralidade. Não, aqui, não”.



